Música Popular Brasileira da Amazônia (Toada)

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J. R. López*

A Música Popular Brasileira da Amazônia(toada), é um segmento artístico brasileiro que vem sendo desenvolvido em toda a região, mas especialmente no Estado do Amazonas, onde determinadas músicas, ritmos e danças retratam a regionalidade, resgatando a História, com uma crítica social refinada, embutidas nos sons de instrumentos que dão forma musical ao canto ritual dos povos da floresta.

Esta cultura traz nos hábitos, costumes e tradições traços antropológicos da musicalidade de raiz indígena e nordestina que são passadas às gerações mais novas, com a introdução da moderna percussão de surdos e caixinhas, há duas décadas, nas batidas que caracterizam as coreografias do “dois pra lá, dois prá cá”, a toada, gênero da arte musical popular genuinamente tupyniquim, que é a expressão cabocla maior do nosso povo, conhecida internacionalmente, projetando turisticamente o Brasil.

A toada, aqui, ganha cor, brilho, beleza e um modo diametralmente oposto à criação da  composição maranhense quer no ritmo, nas letras e nas músicas, com a fusão de  novos elementos e a moldura da floresta tropical, utilizados para a celebração da “ópera popular”, realizadas para cultuar o brinquedo de São João dos curumins e cunhantãs da Amazônia,  que é o boi-bumbá, promessa paga sempre nos últimos três dias do mês de junho.

A maioria das regiões brasileiras, lançou seus  estilos, cantores e compositores em movimentos organizados e pela ótica capitalista da lógica de mercado, dentro da própria Música Popular Brasileira(MPB), mas, no Amazonas, a força da paixão, o apelo popular e a marca Amazônia forçaram o Estado e a iniciativa privada a patrocinar a festa, em que sobressaem as toadas que, segundo Joãosinho Trinta, festejado carnavalesco de algumas escolas de samba do Rio de Janeiro, ao ouvir Lamento de Raça(Emerson Maia) disse, extasiado “esta é a sétima maravilha do mundo moderno”.

Um cenário aberto para a pesquisa de campo das várias ciências. Até hoje os teóricos da academia devem se perguntar como simples caboclos que não têm nem o Ensino Básico, compõe tais pérolas que fizeram sucesso, tornando-se em hit mundial na voz de outros intépretes, sem nunca ter estudado música, cantando nossos valores, como é o caso do compositor Braulino, de Tic, tic, tac.

Após o sambista carioca Jorge Aragão gravar “Parintins para o mundo ver”, foi a vez da Fafá de Belém colocar a voz na toada “Vermelho”, que até virou hino do Internacional(Rio Grande do Sul) e do Porto, clube da 1° Divisão do campeonato português. Hoje os compositores amazonenses são filiados a uma entidade que lhes dá apoio, estimulando a organização com o ritmo que representa uma das identidades regionais da nossa terra.

Recentemente até a rainha do axé music,  Daniela Mercury, rendeu-se ao ritmo amazônico quando, tremendo nas bases, interpretou  a toada “Paixão de torcedor”, tão grande a  emoção, que faz brotar a sensibilidade na conquista que o gênero impõe a artistas de renome internacional como a  cantora baiana de tantos sucessos.

Não lembro mais a toada, mas ainda está na memória o poder da inteligência e a intensidade da voz, a criatividade da cantoria do poeta e  repentista Fernando.  O Mina de Ouro era o boi popular que arrastava muita gente, com sua batida firme, em suas apresentações nas residências ou no Festival Folclórico, realizado na Quadra Herculano de Castro e Costa, o refrão era muito bem marcante que dizia assim: “Itacoatiara, cidade mais linda do Amazonas”, mas hoje será que ela merece este título? Parabenizo a todos os que se aventuram a pesquisar a vida e obra dos folcloristas Zé Garoto, Walmir, Zé Barros, Eliezer e tantos outros que merecem o respeito, o destaque e o olhar dos universitários e estudiosos da cultura popular amazonense.

*É Professor Ministrante do componente curricular de História, no Centro de Mídias. Nasci em Itacoatiara.
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1 COMENTÁRIO

  1. quero receber mais notícias e notificações sobre a amazonia e os demais biomas do brasil, estou entrando em alguns estudos, se puderem me ajudar agradeço, se puderem enviar no e-mail agradeço.

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