Mavignier revisitado

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“Está em curso a publicação de importante obra do escritor, doutor e poliglota Newton Sábbá Guimarães, um dos maiores estudiosos de línguas estrangeiras que se conhece no Amazonas … 

… e um dos mais expressivos do País, que é, precisamente, a tradução do livro de Mavignier de Castro denominado “A Amazônia Panteísta”. Dois autores festejados. Mavignier ocupou cadeira da Academia Amazonense de Letras por longos anos, sempre com presença marcante, escreveu largamente na imprensa, e publicou livros, um deles com prefácio do inolvidável Adriano Jorge, aliás, o último texto escrito pelo venerável pensador.

Newton Sabbá dispensa comentários, e, mesmo residindo no Sul do País há muitos anos, jamais se distanciou da vida amazônica, dos amigos que lhe são caros, da Academia, dos temas e das letras regionais, sem deixar de compreender a importância de uma visão ampla de mundo, e de observação do cenário internacional sobre o qual publicou vários estudos referindo temas e personalidades raramente estudadas no Brasil.

Membro efetivo do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas do qual foi brilhante orador oficial, e da União Brasileira de Escritores secção do Amazonas, Newton Sabbá avançou por universidades, sendo reconhecido com títulos de doutoramento por méritos soberanos em razão de apreciação de bancas de alto quilate, especialmente versadas em ciências jurídicas e línguas estrangeiras, mas é um apaixonado por línguas nacionais e indígenas, como nenhum outro pensador.

Bem que Newton poderia ter traduzido essa importante obra para vários idiomas, mas escolheu o espanhol, quem sabe para ampliar o horizonte do autor e de seu pensamento para a Amazônia Continental, esforço que de há muito vem sendo dispendido pelo Governo do Amazonas por meio da Secretaria de Cultura visando ampliar estradas de conhecimento por outros povos que faz séculos experimentam esse ambiente tropical e úmido.

A obra fala do Rio Negro, do homem que enfrenta a selva e consegue dominá-la sem feri-la de morte; dos povos de Roraima; do Rio Aripuanã; dos igapós; da placidez do matupá; das serpentes amazônicas da beleza e do horror dos temporais que assustam e encantam ao mesmo tempo, revolvendo águas, embalando arvores, sacudindo copas; das montarias usadas pelos homens ribeirinhos; dos acervos arqueológicos que, vez em quando, rompem o solo ou são achados e traduzem a história mais remota da região; e ainda carrega consigo várias opiniões de amazonólogos conhecidos a examinar, mesmo que resumidamente, a trajetória de Mavignier de Castro.

Mavignier estudou e residiu em Paris, homem simples com hábitos refinados o qual, mesmo empobrecido de recursos financeiros, costumava preparar a mesa para o jantar com louça de alta qualidade e degustar vinho finíssimo, em taça de puro cristal, com paciência e generosidade consigo mesmo, dando-se, ao único luxo material de sua vida de ermitão. Conhecida e desejada era sua coleção de dicionários, infelizmente desperdiçada após a morte de seu filho Afrânio Castro, um dos mais importantes artistas plásticos que o Amazonas produziu.

Por isso festejo a iniciativa de Newton Sabbá Guimarães, e anuncio aos leitores, para breve, a circulação de mais essa importante contribuição literária desse cuidadoso e primoroso intelectual amazonense.

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Roberio Braga
*Amazonense de Manaus. Historiador. Bacharel em Direito, especializado em Direito Agrário, pós-graduado em Administração de Política Cultural e Mestre em Direito Ambiental. Professor da Escola Superior da Magistratura do Amazonas e da Universidade do Estado do Amazonas. Ex-presidente da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas. Secretário de Estado de Cultura, desde 1997 até esta data.

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