Livro relata caso de Juan Perón com garota de 14 anos

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*Felipe Gutierrez

Aos 58 anos, Juan Domingo Perón, o político mais importante do século 20 da Argentina, teve uma relação amorosa com uma adolescente de 14 anos, Nelly Rivas.

O caso é descrito no livro “Amor e Violência” (sem edição no Brasil), de Juan Ovidio Zavala, que foi publicado em novembro no país.

Perón ficou viúvo duas vezes. A primeira foi em 1938, e a segunda, em 1952, quando Eva Perón faleceu.

O caso com Nelly Rivas começou em 1953 e terminou dois anos depois, quando o general foi deposto por um golpe e se exilou.

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Nelly Rivas, que foi amante do general argentino Juan Domingo Perón na década de 1950
Zavala afirma que a adolescente “era muito inteligente, tinha muita personalidade” e a iniciativa do romance partiu dela. Nelly era membro de uma espécie de clube de bons alunos, que tinha acesso à residência da Presidência.

Lá ela teria inicialmente se aproximado do mordomo. “Ela sabia se conduzir, planejou a aproximação passo a passo, até que começaram a ter relações sexuais.”

Quando Perón teve que fugir da Argentina, os dois trocaram cartas apaixonadas.

“Para mim, a Nelly que promoveu o encontro amoroso, mas, pelas coisas que o Perón escreveu do exílio, que estão documentadas, ele terminou tendo uma ligação muito intensa com a garota. A primeira carta dizia [à Nelly]: ‘Você é a única coisa que eu tenho e que me restou”, diz Zavala.

Pela menoridade de Nelly, o caso era “discutível”, afirma Zavala. “Havia resistência. Acho que, no fundo, os pais tinham a esperança de que ela se casasse com Perón.”
O autor explica que, pela lei de então, o caso só seria crime se a adolescente ou seus pais apresentassem uma denúncia.

Não houve denúncia, mas mesmo assim o governo que tirou Perón do poder o processou criminalmente, ainda que ele estivesse em outro país. Os pais de Nelly foram considerados cúmplices.

Na Justiça, foram considerados culpados. Durante anos, ficaram foragidos, até que decidiram se entregar. Na delegacia, não foram presos e ouviram que a polícia nunca iria procurá-los.

O advogado deles era justamente Zavala, que agora publicou o livro. Foi assim que ele teve acesso a Nelly, com quem, diz, esteve em contato até a sua morte, em 2012.

DISCRIÇÃO
Nelly contou a Zavala que Perón não se sentia plenamente confortável com a situação, que um dia ele teria dito que “estava destruindo a vida” da adolescente.

O autor diz que, apesar de relacionamentos entre homens mais velhos e mulheres mais jovens ser mais comum na década de 1950, por causa da menoridade de Nelly, essa relação seria muito discutível. Por isso, se manteve oculta enquanto Perón ocupava a Casa Rosada.

O político ficou exilado de 1955 a 1973. Ele voltou e foi eleito pela terceira vez. Zavala conta que Nelly, já casada e com filhos, acionou seus contatos para visitar o antigo amante e que chegou a ser recebida na Casa Rosada. Eles se falaram uma última vez antes de Perón morrer, em 1974.

*Jornalista argentino. Texto na no Caderno Mundo2, Folha de São Paulo 06/12/2014.
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