Jovita Rabelo

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Começam a desaparecer no tempo, como poeira, as histórias de vida de muitas pessoas que deram importante contribuição à sociedade amazonense, sob vários aspectos. 

Uns são lembrados porque poucos descendentes ainda cultivam certa atenção às suas memórias e deles se orgulham, com justiça. Outros, infelizmente, não têm a mesma sorte e seus nomes e suas obras padecem no esquecimento coletivo. Os homenageados, quase sempre, são aqueles que dispõem de poder, seja ele político, econômico ou social.

Em meio aos esquecidos resgato Jovita Rebello, que conviveu ao tempo de várias outras personalidades importantes como Luiz Facundo do Valle, Manoel dos Santos Castro, Marcelino Oueiroz, Félix Luiz de Paula, Pedro Paulo das Neves Vieira, Antônio Lucullo de Souza, João Cordeiro dos Santos, Antônio Barbosa da Silva e as senhoras Arya da Silva Paula, Firmina Fontenelle da Silva, Hévila Coelho de Souza Gonçalves, Dorvalina Baptista Granjeiro, Paulina Elvira, Aurora Castro, Adelaide do Nascimento e Amélia Augusta Taveira, muitas vezes em missões de caridade e de muito trabalho.

Jovita Olympio de Carvalho Rebello, nascido em Monte Alegre, no Pará, em 15 de fevereiro de 1865, era filho de Rayrnundo José Rebello e Ana Joaquina de Carvalho Rebello. Estudou em casa e na terra natal, fez concurso para a Alfândega, atuou em Manaus por mais de 26 anos e depois em Maceió, Rio de Janeiro e Niterói, aposentando-se com 52 anos de serviço.

Em 1887 já residia em Manaus. Convolou duas núpcias: primeiro com Felicidade Affonso Rebello, da qual teve quatros filhos; e a segunda, com a jovem Emília Affonso Rebello, sua cunhada’, com quem teve doze filhos.

A família era grande e com algum destaque social na cidade, inclusive pelo desempenho profissional de Jovita na repartição federal onde foi conferente, chefe de secção, guarda-mor e inspetor em exercício, seja também pela condição de mordomo da Santa Casa de Misericórdia de Manaus, além de ser um dos mais assíduos frequentadores do Conservatório “Carlos Gomes”, que funcionava na capital amazonense, o que não deve ser entendido que fosse integrante da elite econômica da belle époque, mas a família tinha muito interesse e aptidão pelas artes, primordialmente a música, e Jovita, especialmente, como músico amador em clarinete e flauta.

Foram seus filhos: Arnaldo, Creuza, Djanira, Eunice, Álvaro, Agenor, Aldeyda, Armando, Angélica, Zulmira e Arcelino.

Morador da Rua Dr. Moreira, a qual durante muitos anos foi encantada com os sons maviosos de piano todas as manhãs e fins de tarde, graças ao brilho e ao talento de um dos seus filhos: Arnaldo Affonso Rebello, que se transformou em grande pianista, concertista e professor de música e compositor importante, que foi Doutor em Música pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e concertista de prestígio nacional por mais de 50 anos reconhecido pelo país inteiro, e que também começa a padecer do mesmo esquecimento coletivo que fui mina seu pai e muitas gerações de amazônidas.

A Jovita, pois, honras e glórias a um dedicado amazônida, cuja tradição na arte e nas boas práticas de um homem de bem precisam ser cultivadas e ressaltadas para servirem de exemplo.

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Roberio Braga
*Amazonense de Manaus. Historiador. Bacharel em Direito, especializado em Direito Agrário, pós-graduado em Administração de Política Cultural e Mestre em Direito Ambiental. Professor da Escola Superior da Magistratura do Amazonas e da Universidade do Estado do Amazonas. Ex-presidente da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas. Secretário de Estado de Cultura, desde 1997 até esta data.

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