Geopolítica da Amazônia

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Fui convidado para uma palestra no Exército para falar sobre Geopolítica da Amazônia e a Importância da Amazônia na 2ª Guerra Mundial, o que geralmente é esquecido. E no meio da palestra enxertei uma atualização sobre geopolítica que acho pertinente. Segue o resumo do trabalho. Neste momento estou trabalhando sobre fatos históricos que marcaram a presença da Marinha na Amazônia, a pedido do Almirante Sávio. Para mim a Marinha na Amazônia deveria se organizar em ubás de 10 homens, treinados para sobreviver no rio, com motores velozes e apenas alguns navios mães. Bases e navios são alvos fáceis, mesmo à distância, embora necessários. Construção naval pulverizada.

 

LOCALIZAÇÃO

A Amazônia é a região brasileira mais próxima do Círculo do Atlântico Norte ou das chamadas Potências Marítimas, localizadas na América do Norte e Europa Ocidental, que controlam economicamente o mundo.

Situada no centro da América do Sul tem acesso fácil e eqüidistante para quase todos os países do continente. Não é por acaso que inúmeras multinacionais têm instalado suas fábricas, em Manaus, especialmente as de concentrados para refrigerantes.

Se fizermos uma comparação entre o Cone Sul e o Escudo Pacífico-Caribenho, que a protege teremos na primeira região, abrangendo Uruguai, Paraguai e Argentina, em torno de 55 milhões de habitantes e na segunda, Peru, Bolívia, Colômbia, Equador, Guianas, Venezuela e Caribe, mais de 150 milhões de habitantes.

Tudo aponta para o Norte e continuamos com a vã idéia colonial portuguesa de atingirmos Potosi ou Cuzco, pelo rio da Prata.

 

POPULAÇÃO E ÁREA

É uma área de dimensões continentais, com mais de 5.000.000 de quilômetros quadrados, somente na parte pertencente ao Brasil, povoada por 20.000.000 habitantes, a maior extensão de terras de fala portuguesa do Mundo.

 

DESCONHECIMENTO

Ficou escondida da comunidade internacional até 1866, quando o Brasil abriu o rio Amazonas à navegação internacional. Durante os 250 anos anteriores os portugueses a mantiveram oculta, proibindo a entrada de estrangeiros, o que permitiu protegê-la da cobiça de diversas nações, assegurando a sua intocabilidade.

Essa pequena nação seria incapaz de defendê-la das grandes potências mundiais coloniais do século XVIII e fatalmente teríamos uma africanização da Amazônia, no século XIX, o que não ocorreu, por sermos uma colônia econômica da Inglaterra, por ela protegida.

 

DISTÃNCIAS – NAVIO A VAPOR

Um dos motivos de permanecer despovoada, além da pequena população de Portugal, foram as distâncias difíceis de serem superadas antes do barco a vapor. Subir o rio Amazonas, entre Manaus e Belém, correspondia a uma viagem de 80 a 120 dias, em escunas a vela de até 30 toneladas.

Na realidade foi o advento do barco a vapor que permitiu a existência de um ciclo da borracha, povoando os rios, abrindo seringais e oferecendo 600 toneladas de ouro anualmente, sob a forma daquele produto, à Coroa Britânica, em total dependência econômica. Uma época de riqueza para todo o vale, quando as cidades de Manaus e Belém foram dotadas de um equipamento urbano moderno. Com apenas 1.000.000 de habitantes produzíamos 40% das divisas do Brasil, com mais de 19.000.000 habitantes. Foi este ciclo da borracha que permitiu à humanidade alguns dos seus progressos mais notáveis, no século XX, como as capas isoladoras dos fios condutores da eletricidade, os fios telefônicos, os pneus de borracha e suas câmaras, tornando os automóveis e as bicicletas menos barulhentos, além das bolas, também com câmaras, permitindo a expansão dos esportes de massa: futebol, voleibol e basquete, sem as quais seriam jogados com bolas de pano ou meia.

 

DOENÇAS

A baixa densidade demográfica regional também foi decorrente das viroses, da malária e da febre amarela urbana, todas introduzidas nos séculos XVIII e XIX, e oriundas da Europa e da África, que matavam a maior parte dos seringueiros, e das crianças, nascidas nas zonas de extração, obrigando a uma reposição anual de dezenas de milhares de trabalhadores. Não fosse esse problema de insalubridade hoje seríamos mais 60 milhões de habitantes.

 

FRONTEIRAS

As nossas fronteiras começaram a ser delimitadas entre Espanha e Portugal, desde o século XVIII, pelos tratados de Madrid, El Pardo e Santo Idelfonso. Depois com as repúblicas vizinhas, Inglaterra e França, estando definidas após as Questões do Acre, do Pirara e do Amapá.

 

POTENCIAIS

A Região Amazônica é ainda um paraíso de riquezas a explorar, embora algumas saltem aos olhos, pela sua magnitude.

1. As terras propícias, desde que corrigidas, com fosfatos, para qualquer tipo de agricultura tropical, capazes de alimentar populações gigantescas de centenas de milhões de habitantes e de produzir comodities.

2. As águas potáveis puras representando 20% das reservas de água doce de superfície do planeta, que manterão a sua população livre da escassez, por séculos, sem contar com os aqüíferos.

3. As florestas com seus grandes recursos de madeira, borrachas, óleos, essências, castanhas, couros, plantas medicinais, desde que devidamente administradas e manejadas, sem os desmatamentos violentos até agora feitos, pelos descompromissados com a região.

4. As gigantescas jazidas minerais que se ativadas produzirão dumping nos preços do mercado mundial, fora do interesse das grandes mineradoras mundiais, além de causarem instabilidade política nos produtores tradicionais, o que já aconteceu por diversas vezes.

5. O grande potencial energético hidroelétrico de seus rios atualmente utilizado na fabricação de alumínio e as grandes jazidas de mineral radioativo conjugando usinas com grandes áreas de proteção ambiental.

6. A grande malha hidroviária navegável representada pela bacia do rio Amazonas.

 

DESMATAMENTOS

Na realidade os desmatamentos na Amazônia ocorrem por motivos diversos, mas principalmente pela necessidade de madeira do restante do País, que não possui mais matas de exploração, apenas as plantadas de pinus e de eucaliptos, para a fabricação de papel, e a falta de alternativas de compra pelo País, no exterior, pois não temos negócios de madeira, com os produtores da Ásia e da África, todos comprometidos com outros países. O ataque pirata às matas amazônicas evita que compremos lá fora, talvez bilhões de dólares de madeira, a um preço muito mais caro, ao mesmo tempo em que abre espaços para as terras nuas destinadas a produzir soja e carne, alimentos indispensáveis para uma população mundial em crescimento e sem controle de natalidade. Assim, o binômio: madeira, para o Brasil e soja e carne, para matar a fome do mundo, manterão a Amazônia em desmatamento incontrolável.

 

FLANCO SUL

O sul da Amazônia, os últimos degraus do Planalto Central, está em média a 600 metros de altitude, representando uma redução de 6 graus, na temperatura, o que facilita a produção de comodidades (soja, café e algodão) e da pecuária, com 20 milhões de cabeças de zebuínos, alimentando grande parte do País e liberando a carne do gado europeu do Sul, para exportação. Ele continuará a ser rapidamente desflorestado enquanto a população mundial continuar em expansão. Aqui estão ainda grandes núcleos de minerais como os de Carajás, os do Aripuanã, entre outros.

 

FLANCO NORTE

O flanco norte tem fácil acesso para os países vizinhos, o Caribe, América Central e do Norte. Dele faz parte o maciço Guiano, que chega a 3000 metros de altura, com belíssimos campos naturais e minérios de todos os tipos. Está extremamente despovoado, sendo, por este motivo, a parte mais vulnerável da Amazônia, objeto de uma política indigenista anacrônica ainda ditada pelo Positivismo de Rondon, com os índios desejando uma nova era que os traga para o século XXI, sem perder seus usos e costumes, como aconteceu com a era Meiji, no Japão.

 

CALHA CENTRAL

A calha central do Amazonas, entre esses dois flancos, com suas várzeas, igapós e o baixo platô terciário é rica em petróleo, ao ponto do Amazonas ser o maior produtor de petróleo de terra firme do País, com mais de 50.000 barris/dia, abastecendo o Norte e parte do Nordeste.

Há muito estabelecemos a frase: “O Amazonas produz o que não consome, e consome o que não produz”, uma vez que adotamos a Civilização Mediterrânica, em plena Região Equatorial, imprópria para produzir trigo, azeite e vinho. Já deveríamos ter adotado a técnica agrícola do consorciamento dos três produtos regionais, capazes de produzir mais de 20 toneladas de amido por hectare, uma técnica aruaque de mais de 5.000 anos: mandioca-batata doce-jerimum.

 

INTERNACIONALIZAÇÃO

Ultimamente fala-se muito da internacionalização ou conquista da Amazônia, principalmente pelos americanos e brasileiros de outras regiões. Estamos muito tranquilos quanto a isso. O maior perigo está no próprio Brasil, em brasileiros que desconhecem a Amazônia e não lhe têm amor. Temos observado que cada vez mais se entregam áreas enormes do território amazônico para a lavra de minerais: alumínio, petróleo, níquel, prata e ferro. E essas autorizações não são dadas pelos habitantes da Região.

O Brasil já cedeu uma vez a Amazônia aos Estados Unidos, pelos acordos de Washington, como veremos, mais adiante.

Acreditamos que sob o ponto de vista internacional o maior risco existente até poucos anos, foi o fornecimento de petróleo à refinaria de Manaus, pelos navios petroleiros iraquianos, o que não mais ocorre. Isto teria pegado de surpresa os americanos, sem grandes redes de defesa voltadas para o sul, hoje supridas inclusive pelo próprio Brasil, disto talvez resultando a idéia da neutralização da região.

 

MANIPULAÇÃO

Em tudo observamos a Amazônia como a última região com recursos naturais abundantes, na América do Sul, o que o nosso País já dilapidou. Somos extremamente necessários para o futuro do Brasil, por isso sentimos essa sensação de neocolonialismo interno, fantasiada de proteção à cobiça internacional. Tudo isto corresponde aos gigantescos interesses de outras regiões de se apoderarem e controlarem as nossas riquezas, em detrimento das populações que defenderam por muitos anos esta terra, sem que ninguém se preocupasse com isso, transformando-nos em nativos a civilizar.

O restante do País não tem madeiras, os seus minerais escasseiam. As terras estão ocupadas e divididas. Acabou-se a época dos recursos infinitos. A lei de Malthus já entrou em vigor definitivamente. O Mundo sem controle de natalidade e faminto, e o Brasil sem recursos, trabalham para a destruição das florestas amazônicas. A idéia da cobiça internacional protege as idéias de posse da região, pelo neocolonialismo interno, e qualquer oposição a isto significaria risco para a segurança nacional, ações retrógradas contra o progresso.

 

UTOPIA

A Esperança de um novo planeta semelhante à Terra, que possa ser habitado é a Utopia que permeia nesse nosso início de século, nos países tecnologicamente avançados.

Como sempre estamos atrasados nesse assunto mais de cinqüenta anos.

A Amazônia é o novo planeta do Brasil, com terras para tomar e limpar e uma população de nativos (negros, índios, brancos e mestiços), para ser eliminada ou escravizada.

 

MUDANÇAS

Nos próximos anos teremos mudanças radicais no Mundo em que vivemos. A Geopolítica deixará de ter as conotações até agora dominantes, com o aparecimento das chamadas Sinarquias, uma utopia de fundo teológico, que se materializará. O Círculo do Mar da China crescerá e será um perigo para a Amazônia despovoada e propícia para as populações morenas, se bem que neste momento predomine a luta pelo Circulo Energético da Ásia Central e Oriente Médio.

O crescimento desenfreado da população e da industrialização, destruindo e poluindo as reservas naturais do globo, água, ar, fauna, flora, oceanos e rios, pela sua necessidade de sobrevivência, está levando o nosso planeta ao desequilíbrio, com o aquecimento global, o desaparecimento da água potável natural e do ar respirável. Os desmatamentos são um dos resultados das necessidades mundiais de madeira e de terras agricultáveis diante de uma população que não para de crescer. Estão desaparecendo aquelas condições ideais de temperatura, pressão, boa água e bom ar respirável para a sobrevivência do ser humano, em vida livre. Se as pressões parciais de oxigênio e gás carbônico alterarem-se no ar respirável acima de determinados parâmetros a hematose será interrompida e o ser humano desaparecerá da face da Terra.

 

COMPETIÇÃO

Por outro lado há uma intensa competição mundial pelos recursos naturais, em que menos de um bilhão de pessoas, através de seus países, controlam a maior parte deles, consumindo muito mais que os restantes seis bilhões.

Com a população crescendo, a água potável dependerá de grandes dessalinizadores e será de alto custo. Também o ar respirável poderá ser obtido pelos mesmos métodos de purificação. Haverá necessidade de mais terras agricultáveis e para a criação de animais. Entrará em vigor um rígido controle de natalidade tentando manter a população mundial a um nível entre 10 e 20 bilhões de habitantes.

O grande problema será quando o petróleo e os demais combustíveis naturais, além de alguns minerais começarem a desaparecer, o que determinará uma intensa competição e luta pelas últimas jazidas, mergulhando o Mundo em gigantescas guerras. Também quando a capacidade de produzir alimentos chegar a um limite.

Enquanto não descobrirmos como operar fontes de energia limpa a baixo custo, como a solar, a geotérmica e a atômica, que garantam o consumo do planeta, e consigamos produzir alimentos a partir do carbono, hidrogênio, oxigênio e microconstituintes, por métodos químicos ou pela fotossíntese sintética, sempre teremos o pesadelo do futuro diante de nós.

 

O FIM DOS TEMPOS

Dizem que, devido ao consumo das jazidas e da escassez da energia, haverá a necessidade da união de alguns países para manterem a Paz, em um mundo desorganizado. Esta seria outra forma de Sinarquia diferente da Escatológica, decorrente do Apocalipse.

Esta Sinarquia terrena, em que determinados países tutelariam os demais, já começou a se delinear. Seus dois exemplos mais notáveis no momento seriam a União Européia, a nível continental e a tentativa da ALCA de unir o Continente Americano, apenas por laços comerciais.

A Sinarquia acabaria com a pobreza, mediante uma melhor distribuição mundial de renda, controlaria os recursos mundiais disponíveis, tentaria avanços na tecnologia e procuraria manter a população mundial em níveis quantitativos suportáveis pelo planeta.

Neste tipo de Sinarquia não existirá opção para alguns países, que deverão atrelar-se a um dos comandantes do processo, pois caso contrário serão os alvos de retaliações diretas, para a posse de suas riquezas. E dessa ação, o Brasil não estará livre, conforme a posição política que adote, a menos que consiga ser incluído entre os componentes do governo de uma das Sinarquias dominantes.

Entre os modernos pensadores da Sinarquia figurou Joseph Alexander de Saint Yves, nascido em Paris, em 1842, e falecido na cidade de Pau, em 1909, sendo o grande ideólogo dos tempos atuais, sobre o assunto.

Para ele a Sinarquia seria um governo acima dos governos, com a finalidade de salvar a Europa dividida e anárquica. Escreveu, em 1882, a Missão dos Soberanos, relatando a usurpação do poder temporal sobre o espiritual, mais em harmonia com os princípios eternos, e depois, a Missão dos Operários, denunciando a oligarquia incompetente e o estado despótico, que governa por princípios empíricos. Para ele o verdadeiro governo deveria ser organizado em conselhos e câmaras ternárias. A sua Sinarquia teria três poderes: religioso, judiciário e econômico.

 

SINARQUIA TEMPLÁRIA

A Sinarquia Religiosa unindo as três religiões monoteístas foi um ideal templário da Idade Média, jamais concretizada, mas que deixou de ser uma mera utopia religiosa para se tornar uma das peças mestras do equilíbrio político mundial do futuro, após a Primeira Guerra Mundial.

A concepção profana moderna dessa Sinarquia Templária surgiu com a criação da Liga ou Sociedade das Nações, após os episódios da Primeira Grande Guerra, e depois com a Organização das Nações Unidas, ambas perdendo a sua força, pela ação dos seus membros mais poderosos, que impediram, com os seus vetos e como potências militares dominantes, uma Paz duradora para o Mundo, representados pelos Estados Unidos, URSS, Inglaterra, França, Alemanha, China, Japão e Itália. A ONU seria apenas uma sinarquia pela Paz, ajuda aos países pobres e aprovação de ações supranacionais.

A partir dos últimos anos do século XX apareceu a primeira Sinarquia efetiva, em que um grupo de países europeus reuniram-se para uma melhor convivência e conveniência de seus povos, a chamada União Européia. Nela haverá um crescente sentimento de apartheid racial e econômico, com seus interesses voltados para o contrôle dos recursos naturais da África e em seguida da América do Sul, cujos países ela procura jogar contra os Estados Unidos e atrair para a sua órbita, através do seu braço ibérico. Apesar de recente essa Sinarquia tem demonstrado um grande desequilíbrio interno entre os diferentes países que a compõem, mas que serão superados.

Os Estados Unidos com base na ALCA tentarão fazer a sua própria Sinarquia, com forte oposição da América Latina, sob a influência da União Europeia, mas por enquanto prende-se apenas à sinarquia comercial.

No Oriente, China, Japão e Coréia começarão a esquecer das suas divergências antigas, com um objetivo longínquo na Sibéria e na Ásia Central. O Cazaquistão e a Coréia do Norte já estão na órbita da China, que rapidamente consumirá suas riquezas naturais e tentará avançar sobre a Sibéria, a Amazônia Russa a ser dividida com o Japão.

A Austrália continuará uma reserva da Europa, com todo um sistema de estados tampões a protegê-la dos países ditos amarelos, representados pela Indonésia e países da antiga Indochina.

O Continente Indiano permanecerá isolado, pois não conseguirá unir-se, por motivos religiosos.

China, Japão, Coréia e Índia são os países que terão a maior população nos próximos 50 anos, todos de pele morena, aptos para povoarem a Amazônia, diferentemente das raças negras e brancas.

A criação de uma Sinarquia Árabe, ainda levará muito tempo pelas diferenças internas.

Até a Venezuela, através da força do seu petróleo tem a sua associação comercial, ainda não uma sinarquia. A Petrocaribe SA é uma aliança entre a Venezuela e os países do Caribe, em que esses compram petróleo venezuelano aos preços do mercado, dos quais uma parte é paga de imediato e o restante em 25 anos a juros de 1%, ou em produtos. As nações caribenhas podem adquirir até 185.000 barris por dia. A Venezuela através dessa empresa controla o CARICOM, uma espécie de Mercado Comum do Caribe, do qual fazem parte 17 países.

 

E O BRASIL?

E o Brasil?

Tem três alternativas;

1. A criação de uma Sinarquia própria, no Cone Sul. O que está sendo feito com o MERCOSUL, ainda a nível comercial e que será sempre uma sinarquia secundária.

2. A entrada na ALCA junto com o seu aliado natural, os Estados Unidos.

3. A entrada na Comunidade Européia em situação secundária.

Falta ainda ao nosso País aquilo que eu chamaria de Universalidade, um país que se apresente em todos os lugares do Mundo como fazem Estados Unidos, Inglaterra, França, Alemanha, e até Portugal e Espanha. Um País que tenha orgulho de si próprio, sem dupla nacionalidade.

E a Amazônia?

A Amazonia Legal representa 5/8 do Brasil, que sem ela corresponderia a um país um pouco maior que o México ou a Argentina. Somos o território que dá a condição continental ao nosso País.

Geopoliticamente estamos na terra-coração da América do Sul, com a potencialidade de abrigar mais de um bilhão de habitantes, bem próxima do chamado Grande Oceano Central, o Atlântico Norte, onde estão localizadas as regiões mais desenvolvidas do Planeta. A Amazonia só não foi ocupada mais precocemente que o resto da América do Sul, por três motivos principais: clima totalmente diferente do europeu, dificultando a adaptação, distâncias internas gigantescas e meio ambiente desconhecido. E mais, não dava trigo, azeite e vinho. Hoje a geopolítica brasileira continua centrada no triângulo Minas-Rio-São Paulo esquecendo que o centro demográfico e econômico brasileiro avança para o norte. Há uma verdadeira política neocolonialista da Amazônia, onde somos vistos como uma região a explorar e onde as consciências ainda podem ser escondidas em alguma piranheira da ilha de Marapatá ou de Marajó. Somos proibidos de ter fábricas de automóveis e usinas siderúrgicas, impedindo o nosso progresso, e aqui só podem ser estabelecidas indústrias leves. Não temos linhas de navegação interna ou externa que propiciem as trocas. Somos os maiores produtores de madeira e não temos fábricas de móveis. Os Estados da região são desunidos, apesar de terem uma bancada de 24 senadores, somente superada pela do Nordeste. Somos considerados, como os índios, estrangeiros, dentro do nosso próprio estado natal.

Enquanto o país volta-se para um cone sul que lhe é ostensivamente contrário, esquece-se de que temos um litoral de mais de 7000 quilômetros para o Oceano Central, capaz de melhor comerciar com o Mundo civilizado, litoral que vai do cabo de São Roque a Tabatinga.

É preciso tomar consciência de que todo o futuro do Brasil está na Amazonia, e que melhor será ligar-se ao 1º Mundo, através dela. Também é necessário dar início a uma política de maior relevo à Amazonia, tratando com equidade e justiça o seu povo, que foi quem conquistou e manteve esta região brasileira até os nossos dias O Brasil está destruindo o seu futuro ao não atentar para a grandeza da Amazônia.

Por enquanto vivemos um momento de distribuição de mão de obra, minas, pirataria de madeiras e produção de alimentos para gente e animais, e aumentando a densidade populacional da região.

Manaus, 19 de novembro de 2012.

 

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GEOPOLITICA DOS BRASILEIROS

NÃO SOMOS MAIS UMA NAÇÃO

ESTAMOS DIVIDIDOS E SÓ QUEREMOS TIRAR VANTAGENS DO PAÍS

PARA VOLTARMOS A SER UM PAÍS SÉRIO PRECISAMOS DE:

1. POVO PATRIOTA

2. FORÇAS ARMADAS FORTES

3. ELITES E POLÍTICOS NEM VENAIS, NEM CORRUPTOS

4. ALIADOS FIÉIS

 

A Geopolítica no seu sentido antigo de linhas, círculos, terras corações, espaços vitais etc está ultrapassada.

Hoje ela é dinâmica e varia diariamente como se fosse uma bolsa de valores ou um tabuleiro de xadrez.

Hoje depende basicamente de negociadores e da força, principalmente do poder ogival e atômico, tanto para a defesa, como para o ataque. Portanto dependemos de uma diplomacia bem formada basicamente, pois o poder atômico apenas serve para dissuadir a possibilidade de uma guerra total.

Abaixo um relance sobre as áreas de concentração do Poder Mundial Econômico-Militar momentâneo com mais de 10 anos de idade.

 

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A IMPORTÂNCIA DA AMAZÔNIA NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

A importância da Amazônia no contexto da 2ª Guerra Mundial deu-se por dois motivos principais:

1. Por ser passagem obrigatória para o Nordeste Brasileiro, em particular, para a Base Aérea de Natal, local necessário para o salto sobre o Atlântico, pelos aviões destinados à recuperação do Norte da África e patrulhamento do Atlântico Sul.

2. Pela necessidade de borracha natural de alta elasticidade necessária aos pneus de aviões, que se tornara de difícil obtenção, pela tomada dos seringais asiáticos, pelos japoneses, ficando a Amazônia como uma zona de produção alternativa para esta indispensável matéria prima.

1/9/1939 – INVASÃO DA POLÔNIA.

2/9/1939 – BRASIL DECLAROU-SE NEUTRO.

9 A 13/10/1940 – VISITA DO PRESIDENTE GETÚLIO VARGAS AO AMAZONAS. NO DIA 10 VAI À ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DO AMAZONAS ONDE RECEBEU UM MEMORIAL DAS CLASSES EMPRESARIAIS E ÀS 20 HORAS, AO IDEAL CLUBE, NO BANQUETE OFERECIDO PELA ACA E INTERVENTORIA, ONDE PRONUNCIA O DISCURSO DO RIO AMAZONAS COM AS SUAS INTENÇÕES DE DESENVOLVIMENTO PARA A REGIÃO: SANEAMENTO, TRANSPORTES, REPOVOAMENTO E INTERCÂMBIO COM AS REPÚBLICAS VIZINHAS.

24/1/1941 – OS ESTADOS UNIDOS OCUPAM O SURINAME.

18/8/1941 – PRIMEIROS AVIÕES AMERICANOS VOANDO PARA A ÁFRICA VIA NATAL.

10/12/1941 – UM ESQUADRÃO AMERICANO DE CATALINAS VP 52, APOIADO POR TENDERS, PATRULHA O ATLÂNTICO SUL.

28/1/1942 – BRASIL ROMPE RELAÇÕES DIPLOMÁTICAS COM O EIXO.

A ALEMANHA ATINGE A SUA MÁXIMA EXTENSÃO – DOS PIRINEUS A STALINIGRADO. PELO NORTE DA ÁFRICA COM O AFRIKA KORPS, ONDE A PRIMEIRA BATALHA DE EL ALAMEIN JÁ FOI TRAVADA.

O JAPÃO TOMA SINGAPURA E CHEGA À BIRMANIA. AVANÇA PARA O SUL OCUPANDO AS FILIPINAS, INDONÉSIA, MALÁSIA, INDOCHINA E NOVA GUINÉ, E JÁ ESTÁ BOMBARDEANDO A AUSTRÁLIA.

QUASE TODA A REGIÃO PRODUTORA DE BORRACHA NATURAL ESTÁ OCUPADA.

5/2/1942 – FELISBERTO CAMARGO, DIRETOR DO INSTITUTO AGRONÔMICO DO NORTE, SEDIADO EM BELÉM, PEDE A ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DO AMAZONAS UM LEVANTAMENTO DE CUSTOS DA PRODUÇÃO DA BORRACHA, PARA TENTAR ESTABELECER UM PREÇO FIXO POR CINCO ANOS, CASO O BRASIL ASSINASSE UM TRATADO DE MÚTUA ASSISTÊNCIA COM OS ESTADOS UNIDOS. O PREÇO A SER CALCULADO SERIA PARA A FINA ACRE, POSTA EM MANAUS, E COM AS DESPESAS DE PASSAGENS DOS SERINGUEIROS, POR CONTA DO COMPRADOR. PREVIA-SE O AUMENTO DA PRODUÇÃO PARA 22 A 25.000 TONELADAS E A INTRODUÇÃO DE MILHARES DE NORDESTINOS A 3 CONTOS DE REIS CADA.

JÁ ESTAVAM FIXADOS OS SEGUINTES PREÇOS PARA A BORRACHA DE OUTRAS REGIÕES:

MATO GROSSO E ALTOS RIOS 15$000

FINAS TÍPICAS 14$800

FINA FRACA 13$500

ENTREFINA E SERNAMBI VIRGEM 14$200

ENTREFINA FRACA 12$700

SERNAMBI EM RAMA E CAUCHO 9$500

 

A ASSOCIAÇÃOCOMERCIAL ESTABELECEU OS CUSTOS, CONFORME A TABELA SEGUINTE, EM 15$000, POR QUILO:

 

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O PREÇO DE 15$000 ERA O MÍNIMO PRETENDIDO PELOS EXPORTADORES LOCAIS.

16/2/1942 A 26/6/1942 – SÃO AFUNDADOS OS NAVIOS BUARQUE, OLINDA, ARABUTÃ, CAIRU, PARANAIBA, GONÇALVES DIAS, ALEGRETE, PARACURI E TAMANDARÉ, POR SUBMARINOS ALEMÃES, E O CABEDELO E O COMANDANTE LIRA, PELOS SUBMARINOS ITALIANOS DA VINCI E BARBARIGO, EM DIVERSOS LOCAIS DO MUNDO.

3/3/1942 – ASSINADOS OS ACÔRDOS OU CONVÊNIOS DE WASHINGTON ENTRE O BRASIL E A RUBBER RESERVE CY, EMPRESA DO GOVERNO AMERICANO DESTINADA A ADQUIRIR BORRACHA NO EXTERIOR, MANTIDOS MAIS OU MENOS OCULTOS, PARA O GRANDE PÚBLICO.

11/3/1942 – CONFISCO DOS BENS DOS ITALIANOS E ALEMÃES, NO BRASIL.

7/4/1942 – UMA SEGUNDA DIVISÃO DE CATALINAS VP 83 DOS ESTADOS UNIDOS CHEGA A NATAL

ABRIL/1942 – A ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DO AMAZONAS (ACA) JÁ SABIA QUE O LEVANTAMENTO DE CUSTOS DESTINAVA-SE A AUXILIAR OS ESTUDOS PARA A ASSINATURA DE UM ACORDO ENTRE O BRASIL E OS ESTADOS UNIDOS VISANDO:

· FUNDAÇÃO DE UMA COMPANHIA PARA O DESENVOLVIMENTO E EXPLORAÇÃO DA AMAZÔNIA.

· AUXÍLIO DE U$100.000.000 PARA O REEQUIPAMENTO DAS FORÇAS ARMADAS BRASILEIRAS.

· AUXÍLIO DE U$ 15.000.000 PARA O TÉRMINO DA ESTRADA DE FERRO VITÓRIA-MINAS.

· A CONSTRUÇÃO UMA SIDERÚRGICA, A FUTURA VOLTA REDONDA.

· U$5.000.000 DA RUBBER RESERV CY PARA A EXPLORAÇÃO DE SERINGAIS.

· AO TODO U$220.000.000.

POR ESSE ACORDO A AMAZÔNIA PRODUZIRIA BORRACHA A PREÇOS FIRMES, PELO PRAZO DE CINCO ANOS, COMO PARTE DO ESFORÇO BRASILEIRO PARA A GUERRA.

SERIAM CRIADOS ORGANISMOS PARA CONTROLE DA EMIGRAÇÃO DE NORDESTINOS, FINANCIAMENTO DE SERINGAIS, FORNECIMENTO DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS (IMPORTANTE), ASSISTÊNCIA MÉDICA ÀS POPULAÇÕES E COMPRA E TRANSPORTE DE BORRACHA.

9/7/1942 – DECRETO Nº4451, DE 9 DE JULHO DE 1942, ORGANIZANDO O BANCO DA BORRACHA, HOJE BANCO DA AMAZÔNIA, RESULTANTE DO CONVÊNIO DE 3/3/1942. CAPITAL DE 50.000 CONTOS, SENDO 55% DO TESOURO NACIONAL, 45% DO RUBBER RESERVE CY E 5% DO PÚBLICO. TERIA UM PRESIDENTE BRASILEIRO E OUTRO AMERICANO. SUA FINALIDADE SERIA A DE ASSISTIR AOS PRODUTORES E AS FIRMAS RELACIONADAS COM A EXTRAÇÃO, COMÉRCIO E INDÚSTRIA DA BORRACHA, O FINANCIAMENTO DOS AVIAMENTOS, O TRANSPORTE ENTRE OS CENTROS PRODUTORES E AS DUAS CAPITAIS E A ORGANIZAÇÃO DE COOPERATIVAS DE SERINGUEIROS E SERINGALISTAS.

15/8/1942 – O SUBMARINO ALEMÃO U507 TORPEDEIA E AFUNDA, NAS COSTAS DE SERGIPE, OS NAVIOS BAEPENDI E ARARANGUÁ, COM UM TOTAL DE 401 MORTOS, COM REPERCUSSÃO NO AMAZONAS.

AÇÕES CONTRAS AS COLÔNIAS ALEMÃS, ITALIANAS E JAPONESAS.

16/8/1942 – ANÍBAL BENÉVOLO É AFUNDADO COM 150 MORTOS

17/8/1942 –ITAGIBA E ARARÁ -50 MORTOS. ATÉ OUTUBRO DE 1943 FORAM AFUNDADOS MAIS 12 NAVIOS BRASILEIROS.

22/8/1942 – O BRASIL DECLARA GUERRA À ALEMANHA E À ITÁLIA.

31/8/1942 – DECLARADO ESTADO DE GUERRA EM TODO O PAÍS.

10/9/1942 – A CONVITE DO GOVERNADOR GERAL SIR GORDON LETHEM E DO COMANDANTE DA BASE AMERICANA DE DEMERARA CORONEL MATHEW, O INTERVENTOR ALVARO MAIA SAI PARA A GUIANA DA PISTA DO FLORES, AS 6 HORAS DA MANHÃ, COM ESCALA EM VISTA ALEGRE E CHEGADA A DEMERARA, AS 13 HORAS. DAÍ VAI A GEOGETOWN EM LANCHA DA MARINHA AMERICANA, EM 2 HORAS, ONDE VISITA AS AUTORIDADES, DÁ ENTREVISTAS AOS JORNAIS, JANTAR E VOLTA PARA MANAUS DIA 12, ÀS 6 HORAS, CHEGANDO AO FLORES AS 13 HORAS.

17/10/1942 – DECRETO LEI Nº4841, EM QUE TODA PRODUÇÃO DE BORRACHA SERIA AUTOMATICAMENTE COMPRADA PELO BANCO DA BORRACHA, FICANDO GARANTIDA A EXPLORAÇÃO DOS SERINGAIS POR 6 ANOS. MESMO MUDANDO DE PROPRIETÁRIO,.A BORRACHA TERIA O SEU VALOR DIVIDIDO EM 3 PARTES: 60% PARA O SERINGUEIRO; 33% PARA O SERINGALISTA E 7% PARA OPROPRIETÁRIO.GARANTIA-SE 1 HECTARE DE PLANTAÇÃO POR TRABALHADOR, SENDO PROIBIDA A DERRUBADA DE SERINGUEIRAS E CASTANHEIRAS. O SERINGUEIRO PASSAVA A TER MEIAÇÃO NA CASTANHA E FICAVA COM TODO COURO. OS SERINGAIS FINANCIADOS DIRETAMENTE ELIMINAVAM OS AVIADORES E OS ESPORTADORES DAS CAPITAIS, DEIXADOS DE LADO, PARA A DIMINUIÇÃO DOS CUSTOS. FIRMAS TRADICIONAIS DE MANAUS COMO ERNESTO PFLUGGER & CIA, SEMPER & CIA E BERRINGER & CIA, HÁ DEZENAS DE ANOS AQUI ESTABELECIDAS, TIVERAM OS SEUS REGISTROS CASSADOS, FIGURANDO NA CHAMADA LISTA NEGRA.

DEZEMBRO/1942 – PELA FALTA DE NAVIOS, MANAUS ESTAVA DESABASTECIDA, SEM ALIMENTOS DE PRIMEIRA NECESSIDADE. A CHEGADA DO ALMIRANTE ALEXANDRINO TROUXE UM ALÍVIO, SENDO A SUA CARGA É DIVIDIDA EM 1/3 PARA O INTERIOR E 2/3 PARA MANAUS.

4/12/1942 – O DECRETO LEI 5044, DESTA DATA, CRIAVA A SUPERINTENDÊNCIA DO ABASTECIMENTO DO VALE AMAZÔNICO (SAVA), SEDIADA EM BELÉM, SUBORDINADA À COMISSÃO DE CONTROLE DOS ACORDOS DE WASHINGTON. CUIDARIA DO ABASTECIMENTO (RACIONAMENTO),DO INCREMENTO DA PRODUÇÃO, CONTROLE DE EXPORTAÇÃO DEALIMENTOS, FORMAÇÃO DE ESTOQUES, TRANSPORTE, PESCA, ABASTECIMENTO DE SAL E AÇÚCAR.

ESTE DECRETO NÃO TEVE QUALQUER IMPACTO E FOI COMPLEMENTADO PELO DECRETO Nº5403, DE 13/4/1943.

29/1/1943 – GETÚLIO E ROOSEVELT VISITARAM A BASE DE NATAL.

1º/2/1943 – O DECRETO Nº5225 ESTABELECIA QUE OS TRABALHADORES NORDESTINOS QUE VIESSEM PARA A AMAZÔNIA ESTARIAM ISENTOS DA INCORPORAÇÃO MILITAR. A IDÉIA ERA A DE INTRODUZIR 50.000 TRABALHADORES DURANTE O ANO: 12.000, EM FEVEREIRO; 15.000, EM MARÇO E 23.000, EM ABRIL, POREM O SEMTA ( SERVIÇO ESPECIAL DE MOBILIZAÇÃO DE TRABALHADORES PARA AMAZÔNIA) FICOU MUITO AQUÉM DESSES NÚMEROS.

16/2/1943 – RUBBER RESERVE COMPANY TRANSFORMA-SE EM RUBBER DEVELOPMENT CORPORATION (RDC) QUE FUNCIONARIA NOS CAMARINS DO TEATRO AMAZONAS, OBJETO DE INTENSA CAMPANHA, PELO RISCO DE UM INCÊNDIO. INFLUIU NA PRODUÇÃO REGIONAL, PARA AUMENTAR O FLUXO DE BORRACHA, SUSPENDENDO O TRANSPORTE PARA A CASTANHA E O PAU ROSA, OU DIMINUINDO A COMPRA DA BALATA.

15/3/1943 – ENVIO DE TROPAS

26/3/1943 – BASE NAVAL DE BELÉM.

27/3/1943 – BASE AERONAVAL DE NATAL E BASES DE VITORIA, FLORIANÓPOLIS, FORTALEZA, MACEIÓ, RECIFE, RIO GRANDE, SANTOS E SÃO LUÍS.

13/4/1943 – PELO DECRETO Nº5403, DE 13/4/1943, QUE APROVAVA UM ACORDO ENTRE O SAVA E A RUBBER DEVELOPMENT CORPORATION, PELO QUAL ESTA ÚLTIMA DEVERIA MANTER ESTOQUES DE ALIMENTOS NAS PRINCIPAIS CIDADES, COM UMA LISTA DE 41 ITENS, INCLUINDO OS MATERIAIS PARA A EXTRAÇÃO. ESTE DECRETO FERIA DE MORTE O COMÉRCIO AVIADOR DE MANAUS. O ABASTECIMENTO MELHOROU, MAS FOI SUSPENSO O TRÁFEGO DA MARINHA MERCANTE E OS GÊNEROS CHEGARAM A SUBIR 50% NOS ÚLTIMOS 6 MESES DE 1943, APESAR DO CONGELAMENTO DE PREÇOS DA PORTARIA 159, DE 26/11/1943.

14/9/1943 – O DECRETO-LEI Nº5813 APROVAVA O ACORDO DE RECRUTAMENTO, ENCAMINHAMENTO E COLOCAÇÃO DE TRABALHADORES PARA A AMAZÔNIA. ASSINADO A 6/9/1943 COM A RUBBER DEVELOPMENT CORPORATION, A SER ADMINISTRADO POR UMA COMISSÃO ADMINISTRATIVA DE ENCAMINHAMENTO DE TRABALHADORES PARA A AMAZÔNIA (CAETA).

POR ESTE ACORDO A RUBBER EVELOPMENNT CORPORATION DEPOSITARIA NO BB U$2.400.000 POR 16.000 TRABALHADORES QUE DEVERIAM ESTAR NOS SERINGAIS, PARA A SAFRA DE 1944. SERIAM U$300.000 DE ENTRADA E 7 PRESTAÇÕES DE U$300.000, ALÉM DE U$350.000 PARA O DEPARTAMENTO NACIONAL DE IMIGRAÇÃO. SEMPRE FOI UM NÚMERO LEVADO AO EXAGERO.

FEVEREIRO/1944 – RECLAMAÇÕES DA ACA CONTRA A RDC PELOS SEGUINTES MOTIVOS:

· OS PLANOS DA RDC TINHAM SIDO FEITOS À REVELIA DO COMÉRCIO, DA INDÚSTRIA, DA PRODUÇÃO E DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA LOCAIS.
· ATINGIRA FRONTALMENTE A INICIATIVA PRIVADA, POIS A RDC SUBSTITUIRA OS IMPORTADORES E OS AVIADORES; O BANCO DA BORRACHA, ATUAVA NO RECEBIMENTO, CLASSIFICAÇÃO E EXPORTAÇÃO, SENDO ESSA REALIZADA PELO GOVERNO AMERICANO. O EMPRESARIADO FICARA SEM FINALIDADE. AS INDÚSTRIAS DE LAVAGEM DE BORACHA NÃO PODIAM FUNCIONAR, POIS A COMPANHIA INGLESA NÃO FORNECIA ENERGIA. TODA A PRODUÇÃO PAROU = PAU ROSA E CASTANHA. TUDO FOI DESMANTELADO.
· O CUSTO DE VIDA SUBIU.
· O PREÇO ESTABELECIDO EM 1942, JÁ NÃO COBRIA OS CUSTOS.
· FOI PEDIDO PREÇO IGUAL AO DA VENEZUELA, EM TORNO DE 19$500, DIFERENTE DOS 15$000 INICIAIS, O CUSTO DE VIDA SUBIRA 104% E OS AMERICANOS SÓ PAGAVAM CR$13,40.
· FRETE CIF
· REGULARIZAÇÃO DO ABASTECIMENTO PELA FALTA DE MERCANTES AFUNDADOS.
· PROIBIÇÃO DA RDC DE COMERCIAR COM AS MERCADORIAS NACIONAIS.
· TÉRMINO DOS ACORDOS SOMENTE EM 1947.
MARÇO/1944 – OS PREÇOS AMERICANOS CAIRAM PARA CR$13,00. PARA TRATAR DOS ACORDOS NÃO EXISTIAM REPRESENTANTES DA AMAZÔNIA COMO SEMPRE, SOMENTE OS INTERESSES DE OUTRAS REGIÕES.

18/6/1944 – DISCURSO DE WALDEMAR PEDROSA APOIANDO A ACA, NA SUA OPOSIÇÃO AO RDC POR TER DESTRUÍDO A ORGANIZAÇÃO COMERCIAL DO AMAZONAS.

O SEMTA JAMAIS CONSEGUIU INTRODUZIR OS 50.000 TRABALHADORES PREVISTOS. ENTRE MARÇO E DEZEMBRO DE 1943, SENDO QUE AQUI CHEGARAM 4216 TRABALHADORES: 1352 PARA O MADEIRA, 1326 PARA O PURUS, 698 PARA O SOLIMÕES, 218 PARA O RIO NEGRO, 88 PARA O ENVIRA, 10 PARA O JATAPU E 2 PARA O RIO MACHADO. ATÉ MAIO DE 1944 VIRIAM MAIS 1844 EMIGRANTES.

FOI TAMBÉM FOI CRIADO O SERVIÇO ESPECIAL DE SAÚDE PÚBLICA (SESP), SOB A ORIENTAÇÃO DO MÉDICO M.A. ROSENFELD.

NA REALIDADE FOI UMA CONTINUIDADE DO PLANO DE SANEAMENTO DA AMAZÔNIA APRESENTADO EM 14/2/1941 PELA COMISSÃO COMPOSTA POR JOÃO DE BARROS BARRETO, ERNANI AGRÍCOLA, MANOEL FERREIRA E VALÉRIO KONDER VISANDO PRINCIPALMENTE O SANEAMENTO BÁSICO, MEDICINA PREVENTIVA E A MALÁRIA.

 

JULHO/1944 – MANAUS PERMANECIA COM A FALTA DE ALIMENTOS, POIS HÁ 101 DIAS NÃO CHEGAVA UM NAVIO DO SUL. FALTAVA FEIJÃO, XARQUE, TRIGO, BANHA, SAL, AÇÚCAR. APESAR DISSO O BANCO DA BORRRACHA GANHARA 33,3% SOBRE OS SEUS ESTOQUES DE BORRACHA.

 

JULHO/1945 – O RDC DESCULPAVA-SE DA SUA ATUAÇÃO ESTABELECENDO QUE 1941 A AMAZÔNIA EXPORTARA CR$166.734.588,00, ENQUANTO EM 1944 ATINGIRA CR$ 453.700.094,00.

FORNECERA:

· 37.284t DE ALIMENTOS
· 11.334t DE EQUIPAMENTOS
· 20.000t DE PETRÓLEO
VALOR U$9.000.000

CEDERA SEIS NAVIOS AO SNAPP, ALEM DE REBOCADORES, LANCHAS E ALVARENGAS.
VALOR U$ 4.130.000

U$3.000.000 INVESTIDOS NO BANCO DE CRÉDITO DA BORRACHA
U$3.842.500 NO TRANSPORTE E RECRUTAMENTO DE TRABALHADORES.
AVIÕES, CONTRUÇÃO DE AEROPORTOS E ESTAÇÕES RADIOTELEGRÁFICAS – U$2.227.300.
ASSISTÊNCIA MÉDICA
TUDO EM BENEFÍCIO DO ESFORÇO DE GUERRA A PREÇOS FIRMES E CUSTANDO O DESMANTELAMENTO DA ESTRUTURA DE AVIAMENTOS DA REGIÃO. OS GRANDES AVIADORES E OS ANTIGOS COMERCIANTES AQUI INSTALADOS JAMAIS SE RECUPERARIAM, SENDO SUBSTITUÍDOS PROGRESSIVAMENTE. QUEM GANHOU COM TUDO ISTO FOI O EIXO RIO-SÃO PAULO, QUE PASSOU A TER UMA SIDERÚRGICA.

BIBLIOGRAFIA

ANTONIO LOUREIRO – TEMPOS DE ESPERANÇA – TIPOGRAFIA SERGIO CARDOSO –MANAUS = 1994 – EDIÇÃO COMEMORATIVA DOS 50 ANOS DE T.LOUREIRO

BASE – BOLETINS DA ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DO AMAZONAS ANOS DE 1941/1942/1943/1944/1945.

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AVIÃO CATALINA
/Bombardeiro
Tripulantes: Projeto: Isaac M. Laddon
Tipo: Patrulha Nove
Primeiro vôo: 28 de março de 1935
Motores: 2 Pratt & Whitney R-1820-92 Twin wasp de 1.200 hp .
Envergadura: 31.70m.
Comprimento: 19.47 m
Altura: 6.50 m.
Peso vazio: 9.485 kg.
Peso bruto: 16.066 kg ( para decolagem )
Velocidade máxima: 288 km/h
Teto: 4.480 m.
Autonomia: 4.096 km
Introduzido no Brasil: 1943

Unidades Produzidas 7.000
Aviões adquiridos pelo Brasil: aproximadamente 28.

 

UM DOS NAVIOS TRAZIDOS PELA RUBBER, PARA A AMAZÔNIA, NO QUAL VIAJEI PARA BELÉM AOS 6 ANOS DE IDADE

 

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VIRGÍNIA LEE

 

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ACIMA, NO SEGUNDO PLANO, O U 507 QUE FEZ O BRASIL ENTRAR NA GUERRA CONTRA O EIXO.

O Unterseeboot 507 foi um dos 54 submarinos alemães desse tipo construídos entre 1939 e 1942. Durante 15 meses em que operou afundou ou causou danos a 20 nvios mercantes, totalizando mais de 83.000 toneladas.

Ficou famoso por ter afundado, em agosto de 1942, no espaço de três dias, seis embarcações brasileiras (Baependi, Araraquara, Aníbal Benévolo, Itagiba, Arará e Jacira), matando mais de seiscentas pessoas, fato que levou o Brasil a entrar na 2ª Grande Guerra.

Foi afundado a 13 de janeiro de 1943, ao largo do litoral do Ceará, por um avião Catalina norte-americano do Esquadrão VP-83, com a morte dos 54 homens da sua tripulação. Em seus quinze meses de existência, o U-507 teve apenas um único comandante: o Capitão-de-Corveta Harro Schacht (1907-1943), postumamente, promovido a Capitão-de-Fragata (1944).

NAVIOS BRASILEIROS AFUNDADOSPELO U 507

BAEPENDY

 

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ARARAQUARA

 

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ITAGIBA

 

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ARARÁ.

 

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Patrulhas

Em 4 de julho , partiu para sua terceira patrulha, em direção ao sul passando pela costa da Espanha ao largo dos Açores, rumo ao Brasil. No litoral desse país, precisamente entre os estados da Bahia e de Sergipe, entre os dias 15 e 19 de agosto, o u-boot afundou cinco navios mercantes brasileiros de grande e médio porte, causando a morte de 607 pessoas, entre tripulantes, civis,mulheres e crianças. Tais ataques indignaram a opinião pública brasileira, a qual exigiu uma declaração de guerra à Alemanha e à Itália. Em 31 de agosto, o governo brasileiro formalmente declarou estado de beligerância contra as potências do Eixo. Naquela mesma semana, o U-507 ainda poria a pique – a tiros de canhão – a pequena barcaça de carga Jacira, de apenas 89 toneladas. Não houve mortes nesse episódio.

1/1/1946 – É EXTINTA A FEB.

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Antonio Loureiro
Historiador amazonense. Membro das academias Amazonense de Medicina e Amazonense de Letras. Ex-presidente do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas.

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