Exemplo dignificante

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“Assisti, emocionado, a uma das cenas mais gloriosas de prova de civismo, espírito público e compromisso com o Brasil e demonstração do ideal que um homem abraçou ao longo de uma brilhante carreira.

Trata-se do vídeo postado nas redes sociais e que chegou ao meu alcance graças ao amigo Petrônio Pinheiro, no qual o comandante militar Villas-Boas, armado general pelas vestes do Exército Brasileiro, dirige uma solenidade e motiva seus companheiros de farda a renovação dos compromissos com o País.

O mais valioso, em outros tempos e cenário, seria o teor da mensagem proferida pelo general com garbo, elegância e força moral, pelo sentido que ela traduz, pela essência que ela encerra, pela liderança que ele representa. No caso, entretanto, todos esses valores restam menores ante a grandeza de espírito e a determinação pessoal do soldado pronto para vencer os desafios de sua própria resistência e capacidade pessoal; como se estivesse em uma frente de batalha, e, com sua presença e com seu exemplo, elevando o moral dos companheiros.

Acometido de doença atroz, postado em uma cadeira de rodas, respiração controlada, fronte erguida e cabeça altiva, o grande comandante em chefe das forças federais brasileiras, ergue a voz e profere a oração do guerreiro de selva e todos o acompanham, unidos, perfilados com a própria consciência e reunidos pelo mesmo ideal, alinhados aos mesmos valores cívicos e morais.

Para todos que somos do Amazonas, ou a ele dedicamos a causa de viver, o exemplo é ainda mais engrandecedor, porque a formação do guerreiro de selva surgiu aqui, foi edificada nessas paragens e em nossas matas e águas têm sido preparados muitos heróis para a defesa nacional.

Enquanto isso se impõe como exemplo a ser seguido, nos perguntamos por que ficam quase esquecidos esses valores de civismo e honrarias à Pátria, e nem mesmo as datas históricas têm sido tratadas com o destaque merecido e necessário. Por que desconhecer a importância do dia 9 de Novembro, quando em 1823 tomamos conhecimento e aderimos à Independência do Brasil. Por que não mantém mais em cada sala de aula uma Bandeira do Brasil; e nem realizam as festas cívicas do dia da bandeira nacional? Nem ensinam nas escolas que foi no dia 21 de Novembro de 1889 que tomamos conhecimento da proclamação da República evada a efeito uma semana antes? Por que deixamos de cultuar esse amor, fortalecer essa raiz, acreditar nessa força motriz que é o civismo?

Ao ver e ouvir o general Villas-Boas com a firmeza dos homens de caráter e a grandeza dos legítimos líderes, ao mesmo tempo forte e humilde, vencendo a fragilidade do corpo físico com a temperança de sua energia moral e da formação militar e cívica, cogito com os meus botões, em conversa miúda, daquelas quase em segredo, de mim para comigo, por que estão se esvaindo os verdadeiros valores de cidadania e patriotismo? e como um país pode vencer as muitas disputas sociais, econômicas, educacionais e políticas no campo internacional, em um mundo globalizado e competitivo por demais, sem que os verdadeiros valores da nacionalidade estejam presentes e fortalecidos na alma do seu povo?

Ah! meu bom amigo general, como estou renovado de brasilidade pelo exemplo que nos ofereceu a todos que pudemos ter acesso a essa bela lição de vida.

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Roberio Braga
*Amazonense de Manaus. Historiador. Bacharel em Direito, especializado em Direito Agrário, pós-graduado em Administração de Política Cultural e Mestre em Direito Ambiental. Professor da Escola Superior da Magistratura do Amazonas e da Universidade do Estado do Amazonas. Ex-presidente da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas. Secretário de Estado de Cultura, desde 1997 até esta data.

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