Depois de haver corrido o mundo, aproveitando a formação bem composta e erudita que recebeu frequentando os melhores colégios do Rio de Janeiro, na convivência solene com a família e em excursões e muitos trabalhos fora do País, tendo retomado à terra do nascimento quem sabe para recuperar recordações e depois de muito contribuir com as artes e as letras amazônicas, um grande amazonense acha-se recolhido em seu recanto singelo.

É que os anos passados pesam nos costados do ilustre amigo, e não fosse sua paixão desmedida pelo cinema, principalmente, bem que poderia estar, ainda agora, em altas rodas da antiga capital da República, nos cafés de Paris ou nos parques de Londres, vivendo as glórias de uma bem-sucedida família amazônica.

Sua convivência íntima com grandes figuras cultores das boas letras como Arthur Cézar Ferreira Reis, Gilberto Freyre e Leandro Tocantins, para citar apenas três, dois dos quais dos maiores amazonológos ainda agora festejados pelo muito que fizeram nos estudos de coisas que nos dizem respeito, e mestre Gilberto, o senhor de Apipucos e de “Casa Grande e Senzala”, e nos salões do Ministério das Relações Exteriores e da SPVEA que se apresentava como criada para impulsionar o desenvolvimento da Região, deram-lhe a dimensão do valor efetivo do homem, das florestas e das águas que cobrem e varrem esse imenso território verde, fazendo-o aquilatar, agora mesmo, em conversas miúdas ao telefone, a necessidade imperiosa de que novas e definitivas medidas sejam adotadas para impulsão de projetos econômicos, sociais, culturais e artísticos que a valorizem, exprimam e transformem a sua grandeza em favor do homem que a defende e protege.

Certa feita, chamado a atuar no importante setor de turismo do governo estadual se houve de tal forma eficiente e dinâmico, ainda no vigor da juventude elegante e exuberante, que mereceu dos coestaduanos a melhor das referências a seu trabalho, correndo mundo com a produção especial de Glauber Rocha denominada “Amazonas… Amazonas”, financiada pelo governo e que causou excelente repercussão não só pela qualidade artística da obra filmográfica como pela estratégia de sua promoção internacional.

Mais tarde coube a ele implantar o Instituto Superior de Estudos da Amazônia-ISEA, uma espécie de fórum de debates dos problemas regionais do Continente Amazônico, assim reconhecidos por muitos estudiosos, entre eles o próprio Arthur Reis que sacudira a opinião nacional com o seu “A internacionalização da Amazônia”. Mesma postura assumiu quando esteve à frente do órgão estadual de cultura, com delicadeza, educação a toda prova e conhecimento profundo dos problemas que envolvem o setor, não por ouvir dizer,

mas porque os conhecia verdadeiramente, seja ‘como amazonense ou como artista e alma sensível aos valores da terra e da civilização.

Acolhido no Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas foi depois recebido na Academia Amazonense de Letras e mesmo agora, guardado em seu casulo por desejo próprio, as obras que publicou versando sobre Manaus, sobre a economia da borracha e as crônicas de jornal muito bem-humoradas e compostas sob o título “É isso aí…”, coisas do cotidiano de uma cidade que explodiu em população e trejeitos irrecuperáveis, se mantém importantes para os estudos sobre o Estado.

Esse embaixador recluso tem nome, história e tradição, é um verdadeiro “gentleman”, e chama-se Luiz Maximino de Miranda Correa Neto, a quem o Amazonas muito deve.

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Roberio Braga
*Amazonense de Manaus. Historiador. Bacharel em Direito, especializado em Direito Agrário, pós-graduado em Administração de Política Cultural e Mestre em Direito Ambiental. Professor da Escola Superior da Magistratura do Amazonas e da Universidade do Estado do Amazonas. Ex-presidente da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas. Secretário de Estado de Cultura, desde 1997 até esta data.

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