É fácil votar, difícil é lembrar em quem votou!

1
1169
*Ageu Souza

Manaus se prepara para mais uma eleição na qual  escolheremos o  Prefeito,  seu vice e  os vereadores para a Câmara Municipal.  Recentemente, ouço com frequência as pessoas e alguns amigos me perguntarem:  Em quem você vai votar? É interessante notar que feita a pergunta, geralmente não me permitem concluir a resposta, apenas iniciá-la. Meu objetivo é, que neste espaço, tenhamos uma conclusão.

Inicio afirmando que é muito importante  fazer a declaração de voto, dizendo em quem vai votar e justificando essa escolha.

No entanto,  é bom que se diga que não encontraremos nem santo nem  diabo na política.

Em função disso,  o voto é sempre uma escolha pessoal, tendo como consequência a  necessidade de investigar,  cuidadosamente,  quem você escolherá para votar. Esta importante decisão  incluirá  as seguintes  perspectivas: fisiológica, partidária e ideológica. O aspecto fisiológico como uma prática coletiva, em  que todos sejam beneficiados. O partidário no qual  aparece o programa de governo e nele presente todas as políticas públicas,  cujo critério de implementação seja  pluralista, ou seja, procurando atender as demandas sociais mais urgentes e, por último,  a questão ideológica em que o candidato tenha ideias democráticas,   respeitando, sobretudo os direitos humanos e a democracia como um bem da sociedade moderna. Neste sentido,  lembramos que enquanto tivermos moradores de ruas,  pais de família desempregados,  crianças fora da escola,  adultos analfabetos, população sem transporte de qualidade,  falta de saneamento básico,  casas sem água e energia, cidadãos sem a certeza de ir e vir, com segurança; entre outras ações públicas. Essas são demandas prioritárias de quem governa e de quem deseja governar.

É fácil votar, difícil é lembrar em quem votou. Assim, para não esquecer em quem você votou ou votará, basta efetuar os seguintes procedimentos:

  • Verificar se o candidato está preparado para o cargo, o que é possível analisando, entre outros, os demais quesitos:
  • Questão da ficha limpa – pois ser honesto não é favor. É uma obrigação de todos, especialmente de políticos, por lidarem com a coisa pública.
  • Discurso – o  programa de governo – faça  perguntas, por exemplo,  o que ele fará, caso seja eleito, pela educação, transporte,  saúde, segurança e  habitação;
  • Ter compromisso com a democracia;
  • O Estado é laico, portanto, religiosidade é coisa sagrada, de fé e particular de cada um. Por outro lado, a Política deve se pautar pela ética, pelos valores morais, pela Razão, buscando o bem-estar social e espiritual da coletividade.
  • Analisar, cuidadosamente, seu patrimônio e os meios pelos quais foram adquiridos.
  • Analisar, especialmente, candidatos forjados pela Mídia, buscando encontrar os interesses envolvidos nessa projeção, quase sempre instantâneas.

Ao pôr em prática esses procedimentos de exercício da cidadania, promovemos real e concreta transformação na atual conjuntura política, viciada com a banalização do voto. Se hoje a política está assim é porque a grande parte da sociedade banaliza o seu voto, inclusive quando este é trocado por favores individuais.

*Graduação em Ciências Sociais – Universidade Federal
do Amazonas: 1999
Compartilhar
Autor Externo
As publicações são fontes externas de outros veículos de comunicação.

1 COMENTÁRIO

  1. Comentário correto, ponderado e lúcido, esse do professor Ageu Souza. Não deveria ser endereçado somente aos eleitores de Manaus, mas aos de todo o Amazonas, inclusos os de Itacoatiara. Leiamos com vagar o texto e reflitamos sobre seu conteúdo. Precisamos de lições dessa qualidade. Parabéns ao digno cientista social amazonense. Francisco Gomes

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário
Por favor informe seu nome aqui