E a dor do parto

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As mudanças em todos os segmentos da vida moderna se estabelecem com uma velocidade muito rápida.

A vida toda o primeiro choro que denuncia a presença de mais um ser vivo entre nós, vinha sempre acompanhado de muita dor da mãe daquele novo ser. Mas hoje em dia as jovens mães estão fazendo uma nova opção: Parto sem dor!

Elas estão com a razão? Não sei! Será que a geração de uma nova vida tem que vir sempre acompanhada pela dor do parto?

A dor do parto faz parte de todo o processo fisiológico que culmina com a expulsão do feto de dentro do útero. A contração uterina necessária para o ato de parir implica num sem número de acontecimentos benéficos para a saúde das mulheres, tais como, por exemplo, a eliminação completa de todos os resíduos da preparação uterina durante a fase de nutrição do feto. Por outro lado excita a produção de um hormônio chamado ocitocina, que além da capacidade de contrair as fibras musculares da parede do útero, ainda estimula a produção cerebral de Serotonina e Endorfina, os neurotransmissores responsáveis pelo prazer, daí aquela sensação completa de bem estar pós-parto. Ainda temos a vantagem de que terminado o ato, tudo volta ao normal do ponto de vista fisiológico, e a natureza é tão perfeita que todas aquelas estruturas osteoneuromusculares envolvidas no ato da delivrança acabam por se recompor imediatamente. Logo é mito dizer que o parto normal altera a estrutura da musculatura e da mucosa vaginal deixando aquela mãe  com alargamento do canal vaginal, implicando em oferecer menos prazer ao seu companheiro no ato sexual. Daí um dos motivos da opção por parto cirúrgico. Não sentir a dor das contrações uterinas fazendo um parto cirúrgico implica com certeza na troca da hora de sentir dor, pois a cesariana não é indolor no pós-operatório. E mais, o fato de abrir a cavidade abdominal, cortar fibras musculares do útero, do tecido celular subcutâneo e expor as vísceras, poderá possibilitar a existência de resíduos sangüíneos na cavidade abdominal, que na maioria das vezes vai proporcionar fibrose intra-abdominal, com seqüelas, além do maior risco que é ter uma infecção que pode prosperar para uma grave septicemia (infecção generalizada) com grande risco de morte.

Nas estatísticas sempre aparecem para quem opta pelo parto cirúrgico corre  todos os riscos de agravos com desvios da saúde. Logo aconselhamos que as jovens mães, quando gestantes, ponderem muito sobre todos os risco iminentes de um parto sem dor, fruto de um parto cirúrgico. Sei que serei contestado pelo fato de ser do sexo masculino, contudo a minha experiência como médico e como idoso, que já viu de tudo um pouco nesta vida me deixa tranqüilo e certamente continuarei a desestimular a fuga da dor do parto!

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Euler Ribeiro
Amazonense, de Itacoatiara. Formado em Medicina em Belém (PA), o médico geriatra completou os estudos em SP e nos EUA. Foi secretário de Saúde do Estado e deputado federal. Fundador da Universidade Aberta da Terceira Idade (UnATI), ligada à Universidade Estadual do Amazonas (UEA). Membro das academias amazonenses de Letras e de Medicina.

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