Desafio de formar engenheiros

0
750

Li, via Google, relatório publicado na revista da ADUA, de julho de 2013, no qual descortina as sérias dificuldades da Faculdade de Tecnologia (FT), da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), para formar engenheiros. O vice-diretor da FT, Nilson Barreiros, informa haver 105 professores em exercício,  quando precisaria de 139 docentes, divididos na carga horária de 18 horas, para que os alunos não fossem prejudicados. O déficit é, portanto, de 34 professores. Dos 15 previstos no Projeto Pedagógico do Curso de Engenharia de Produção, por exemplo, apenas seis estão dentro de sala aula, sendo esperada a chegada de mais dois substitutos.

“Para conseguir dar aula para todos os alunos, venho juntando duas turmas totalizando cem alunos. Hoje temos professores na FT com até quatro disciplinas”, informou o vice-diretor Barreiros, destacando que cada docente pode assumir até duas disciplinas, cabendo pedido de permissão ao Conselho Diretor e Departamental, no caso de uma terceira. Atualmente, 20 disciplinas da FT estão sem professores, obrigando o departamento a buscar professores de outros cursos aptos a ministrar o conteúdo.

O vice-diretor da Faculdade de Tecnologia salienta que “o problema é sempre informado à Reitoria da Ufam, mas a contratação não depende exclusivamente da universidade e sim do Ministério da Educação, que autoriza a liberação de vagas e de recursos para ampliação do quadro”. Nilson Barreiros destacou que a falta de professores se repete em outros cursos da unidade acadêmica, sobretudo os criados após a implantação do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), em 2007. O Programa ampliou o acesso às instituições de ensino superior e possibilitou a interiorização da Ufam, mas não abriu vagas suficientes para o quadro de docentes. Em síntese, a realidade do ensino universitário no País.

Uma das alternativas encontradas pelos Departamentos e Coordenações de Curso da FT foi a reformulação de projetos pedagógicos, de forma a reduzir a carga horária de professores de engenharia cedidos para ministrar disciplinas em outros cursos.  É o caso da Engenharia de Produção, cujos trabalhos  iniciaram ainda em julho do ano passado, sem resultados concretos desejáveis. “Isso não é suficiente para que o curso tenha qualidade efetiva”, disse o presidente do Centro Acadêmico de Engenharia de Produção (Caepro), Almir Caggy, acrescentando que há poucas opções para reverter o quadro num curto prazo.

Contratar professores é uma séria dificuldade. Rubem Souza, professor do departamento de Engenharia Elétrica da FT explica que, mesmo quando há vagas tem sido necessário flexibilizar a exigência de o candidato possuir título de doutor e até de mestre na expectativa de ocupá-las o quanto antes. Ocorre que ao admitir profissionais com título inferior ao de doutor é necessário investir na qualificação do mesmo sob pena de prejuízo na avaliação do curso pelo MEC. Assim, destaca Souza, em pouco tempo o professor deverá se afastar para fazer sua qualificação, o que requer no mínimo dois anos para mestrado e quatro para doutorado.

O problema decorre basicamente da escassez de programas de pós-graduação em nível de mestrado e doutorado na área tecnológica em Manaus. Portanto, os profissionais têm de se ausentar totalmente de suas atividades na instituição. Rubem Souza pondera que o Departamento de Eletricidade do Curso de Engenharia Elétrica, um dos mais antigos da FT, conta com nove professores, sendo que destes dois são vinte horas e um temporário. Temos que atender a demanda do próprio curso e de mais sete cursos de graduação e dois de pós-graduação; além de desenvolver atividades administrativas, de pesquisa e extensão. Há vagas para contratação de quatro professores. Tentaremos, não obstante as dificuldades mencionadas fazer as contratações até o mês de fevereiro de 2015, salientou.

Compartilhar
Osíris Silva
O economista Osíris M. Araújo da Silva é consultor de empresas, ex-secretário Municipal de Economia e Finanças da PMM, ex-secretário da Indústria, Comércio e Turismo e ex-secretário da Fazenda do Amazonas. É presidente da AMAZONCITRUS – Associação Amazonense de Citricultores, membro do Grupo de Estudos Estratégicos Amazônicos (GEEA), do INPA, e articulista econômico de A Crítica.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário
Por favor informe seu nome aqui