Cronologia

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1860

ANTECEDENTES

Era pré-colombiana

14.000

– Os primeiros humanos vindos da Ásia, através do Estreito de Bering, chegam à América do Norte.

 

12.500

– Grupos dos primeiros humanos saem da América do Norte em direção sul, atravessam a América Central e ingressam na América do Sul, através da Colômbia.

 

11 mil a. C.

– Primeiros sinais de ocupação humana no alto Amazonas.

 

09,2 mil a. C.

– Grupos de caçadores-coletores se espalham por toda a região amazônica.

 

06 mil a. C.

– Registrada a presença humana no extremo norte do atual Estado do Amazonas.

 

05 mil a. C.

 -Grupos de agricultores passam a trabalhar no alto Rio Madeira. Possível local de domesticação da mandioca e da pupunha.

 

03 mil a. C.

– Sociedades de horticultores marcam presença na foz e no baixo Rio Amazonas.

 

02 mil a 07 mil anos antes do tempo atual

– Grupos de língua Arwak atuam na margem esquerda do Rio Amazonas, no trecho Rio Negro-Rio Uatumã. Possivelmente, os das etnias Karib e Tupi-guarani na margem oposta, na região do Rio Madeira. Estes trechos abrangem o território de Itacoatiara ou têm estreita comunicação com ele.

 

A conquista europeia

Século XV

1492 

– Out/12 – Cristóvão Colombo aporta pela primeira vez em território americano.

 

1494

– Jun/07 – Celebrado entre Portugal e Espanha o Tratado de Tordesilhas, fixando critérios de partilha das terras descobertas e por descobrir.

 

Século XVI 

1500

– Fevereiro – O espanhol Vicente Yáñez Pinzón descobre o estuário do Amazonas. Foi o primeiro europeu a chegar à Amazônia.

– Março – O aventureiro espanhol Diego de Lepe chega ao local onde esteve Pinzón. Atrita com os nativos e comete o primeiro ato genocida da Amazônia.

1534

– O rei João III, de Portugal, cria a Capitania do Maranhão, em dois lotes de cerca de 350 km de largura, ao longo da costa até a linha estabelecida pelo Tratado de Tordesilhas, interior adentro. Fracassa a tentativa de instalá-la no ano seguinte.

 

1540

– Set/27 – O papa Paulo III edita a bula Regimini Militantis Ecclesiae estimulando o interesse europeu sobre os habitantes das Américas pré-colombianas.

 

1541

– Dezembro – O sertanista espanhol Francisco de Orellana se desliga da expedição de Gonzalo Pizarro e inicia sua célebre viagem através do Rio Amazonas.

 

1542

– Jun/10 – Francisco de Orellana descobre a embocadura do Madeira e ultrapassa o sítio Itaquatiara. Em agosto encerraria sua viagem saindo no Atlântico.

1580

Ago/25 – Em decorrência da União Ibérica, a Amazônia passa para o domínio espanhol.

 

1596

– Deste ano até a primeira década do século XVII, corsários ingleses, irlandeses e holandeses se introduzem na região pelo Rio Amazonas, sendo que os últimos chegam a estabelecer feitorias no Rio Xingu. Mais tarde, todos foram expulsos pelos portugueses.

 

1599

– Grupos indígenas da tribo Tupinambá, depois de migrarem da costa atlântica do Brasil e atravessarem o Continente até o sopé da Cordilheira dos Andes, na Bolívia, descem o Rio Madeira e se estabelecem na Ilha de Tupinambarana.

 

Século XVII

1611

– Set/10 – Alvará régio autoriza a entrega da administração dos aldeamentos indígenas a leigos e padres secu-lares com atuação nas colônias portuguesas.

 

1612

– Jul/26 – O Maranhão é ocupado pelas tropas do corsário francês Daniel de La Touche, Senhor de La Ravardiére. Três anos depois são expulsas pelo exército do capitão Jerônimo de Albuquerque.

 

1615 

– Nov/03 – Jerônimo de Albuquerque assume o cargo de capitão-mor do Maranhão. Assinala-se aí o início da colonização portuguesa na Amazônia.

1616

– Jan/12 – O capitão-mor português Francisco Caldeira de Castelo Branco funda o forte do Presépio, núcleo originário da cidade de Belém/PA.

 

1617

– Mai/04 – Carta régia manda integrar ao Estado do Brasil as capitanias gerais do Maranhão e Grão-Pará.

1618

– Jun/20 – Lei assinada pelo rei Filipe II delega aos padres da Ordem dos franciscanos o trabalho de conversão dos indígenas. Vários deles chegaram a Belém em meados do ano anterior.

 

1619

– Nov/07 – Alvará régio desta data manda separar do Estado do Brasil as capitanias do Maranhão e Grão-Pará.

 

1620

– Casais de açoreanos chegam para trabalhar na Amazônia. Ao todo vieram 561 imigrantes.

 

1621

– Jun/13 – Filipe III extingue as capitanias gerais da região e cria o Estado do Maranhão e Grão-Pará – unidade político-administrativa com a capital em São Luís. Ligada diretamente a Lisboa, sua criação marcava definitivamente a ocupação portuguesa na região.

1622                              

– Criada a Câmara de São Luís.

– O capitão Antônio Muniz Barreiros Filho assume o cargo de governador do novo Estado.

– O padre Luiz Figueira instala a Missão dos jesuítas do Maranhão e Grão-Pará. Quase foi desativada com a partida da Amazônia, em 1636, do padre Figueira.

 

1628

– Jun/25 – Alvará desta data garante aos padres jesuítas a administração espiritual e temporal dos indígenas.

 

1637

– Ago/10 – Confirmada a jurisdição eclesiástica dos jesuítas sobre toda a região amazônica.

-Out/26 – O militar português Pedro Teixeira dando início à primeira viagem exploratória do Amazonas sobe até Quito, no Equador. Na volta, dez meses depois, toma posse da região em nome da Coroa.

 

1638

– Jul/25 – Os jesuítas, visando à dinamização dos trabalhos de conversão dos indígenas, instalam em São Luís a Administração Eclesiástica do Maranhão, Grão-Pará e Rio das Amazonas.

 

1639

– Final de novembro. Retornando de viagem, Pedro Teixeira passa defronte à boca do Rio Madeira: Cristóbal de Acuña, o escrivão da frota, relaciona várias tribos indígenas e destaca os Abacaxis. É ultrapassado em seguida o sitio histórico onde, 120 anos mais tarde, seria instalada a vila de Serpa.

– Jun/03 – Refundada em São Luís a Missão dos jesuítas. Não pôde ser ativada porque o padre Luiz Figueira, destacado para tal, morreria três anos depois.

 

1640

– dez/01 – Extinção da União Ibérica. Portugal recupera sua independência. No dia 15, o Duque de Bragança é aclamado rei com o título de dom João IV.

 

1641

– Nov/25 – Tropas da Holanda comandadas por Maurício de Nassau ocupam São Luís e ampliam os domínios de seu País às terras do Maranhão. Em fevereiro de 1644 são expulsas pelos portugueses.

1649

– À falta de padres da Ordem para missionar na Amazônia, a Missão dos jesuítas é praticamente fechada.

 

1650

– O bandeirante paulista Antônio Raposo Tavares chega à Amazônia, desce o Madeira e, depois de três anos no interior, retorna a São Paulo através de Belém.

 

1652

– Fev/25 – Extinção do Estado do Maranhão e Grão-Pará.

– Jul/24 – Provisão régia desta data manda implantar a côngrua – pensão anual conferida aos jesuítas em missão na Amazônia.

 

1653

– Jan/16 – O jesuíta Antônio Vieira, o paladino da luta pela liberdade dos índios, acompanhado de nove padres, chega a São Luís para ativar e consolidar a Missão. É logo investido no cargo de superior regional.

– Mai/20 – Padre Vieira escreve a dom João IV denunciando os colonos e servidores da Coroa comprometidos com o estado de exploração e escravização dos índios. No dia 05 de outubro vai visitar Belém.                       

– Out/12 – Carta régia comete às câmaras e capitães-mores a administração dos índios. Restabelece os casos de cativeiro dos nativos apreendidos em guerra justa.

 

1654

– Meados de julho – Padre Vieira, depois de retornar de uma visita ao Tocantins, viaja a Lisboa para solicitar a revogação da Provisão régia de 1653.

– Ago/25 – Maranhão e Grão-Pará, através de uma Provisão régia desta data, readquire a categoria de Estado colonial autônomo sediado em São Luís.

 

1655

– Abr/09 – A Coroa portuguesa baixa uma Lei garantindo aos padres jesuítas a administração das aldeias e o governo temporal e espiritual dos índios.

– Mai/16 – O padre Antônio Vieira regressa triunfante a São Luís para fazer implantar a Lei de 09 de abril. É o primeiro Regimento das Missões e documento base da ação missionária na Amazônia.

 

1656

– Janeiro – O padre superior Antônio Vieira transporta-se outra vez a São Luís. No dia 07 de abril volta a Belém com planos de ir, pessoalmente, em missão ao médio Amazonas.

 

A expansão para o interior

Século XVII

1657

– Jun/22 – Substituindo ao padre Antônio Vieira, os jesuítas Francisco Veloso e Manuel Pires deixam São Luís e iniciam a primeira entrada europeia na Amazônia Ocidental. Integram a tropa de resgate do capitão-mor Bento Maciel Parente.

– Agosto – Sua primeira parada é em Amatari, uma aldeia da margem esquerda do Amazonas, acima da atual cidade de Itacoatiara. Celebram missa e assistem aos índios Aroaqui. Dali seguem até o Rio Negro e em seguida passam ao Tarumã. Retornam meses depois conduzindo uns 600 escravos para Belém.

 

1658

– Ago/15 – Os padres Francisco Gonçalves e Manuel Pires deixam a cidade de São Luís e viajam em missão ao Rio Negro. Fixam-se no mesmo local da inicial entrada, na boca do Tarumã. Sua desobriga valeu à Ordem dos jesuítas o resgate de 700 índios que são levados na viagem de volta. Retornam a Belém 17 meses depois, ou seja, em janeiro de 1660.

 

1660

– Final do ano – Os missionários jesuítas Manuel Pires e Manuel de Souza, guiados pelo capitão Domingos Monteiro, após uma viagem de quase quatro meses subindo o Rio Amazonas, entram no Rio Urubu e fundam a missão de Saracá, atual Silves. Antes, haviam fundado a missão dos Tupinambarana, à margem esquerda do Paraná do Urariá.

 

1661

– Fev/12 – Começam os atritos entre a Câmara de Belém e os padres jesuítas. Padre Antônio Vieira é acusado de atentar contra a economia do Estado. 

– Mai/15 – Rebenta a revolta do povo de São Luís contra os jesuítas. No dia 20 de julho o povo e os políticos de Belém aderem ao motim.

– Set/08 – Expulsão dos jesuítas da Amazônia. O padre Antônio Vieira e seus companheiros são presos e embarcados à força para Lisboa.

 

1662 

– Set/07 – Começa oficialmente o retorno à Amazônia dos jesuítas com a vinda dos missionários João Maria Gorzoni e Salvador do Vale.

– Final do ano – Retomada a missão de Saracá, no baixo Urubu, pelo padre frei Raimundo, da Ordem das Mercês. Achava-se paralisada devido ao motim de 1661 que resultou na primeira expulsão dos padres jesuítas da Amazônia.

 

1663  

– Fevereiro – Recrudescem as perseguições aos índios. No Urubu, o cabo de tropa Antônio de Arnau Vilela peleja contra os Aroaqui e é trucidado por eles. Os sobreviventes se refugiam na missão de Saracá e, conseguindo repelir os índios, regressam a Belém. 

– Set/12 – É abolida a jurisdição temporal dos missionários e as aldeias passam à administração dos capitães-mores. Os insurgentes do Estado do Maranhão e Grão-Pará são anistiados.  

 Out/18 – Provisão régia manda devolver a administração das missões aos padres jesuítas e determina que eles retornem, exceto o padre Vieira que é preso em Lisboa e processado pela Inquisição.

 

1664

– Nov/25 – O genocida Pedro da Costa Favela, à testa de uma tropa de guerra, e apoiado pelo sargento-mor Antônio da Costa, promove a quase extinção dos índios do Rio Urubu.

 

1669

– Aceleradas as entradas no Madeira. Padres jesuítas, em missão de catequese, passam a operar na região.

– Junho – Pedro da Costa Favela, à frente de uma tropa de resgates, acompanhado do padre frei Teodósio da Veiga, da Ordem das Mercês e novo missionário de Saracá, funda nas imediações do Igarapé do Aruim, a primeira povoação do Rio Negro. 

– Set/29 – O superior dos jesuítas João Filipe Bettendorff, acompanhado do padre Pedro Luís Gonçalves e do irmão Domingos da Costa, visita a missão dos Tupinambarana.

 

1670

– Provavelmente em maio – Tropa de resgate chefiada pelo capitão-mor Manuel Coelho, dela fazendo parte os padres Manuel Pires e João Maria Gorzoni, sobe o Amazonas, passa pelo Rio Negro e entra no Solimões. Volta a Belém levando 900 índios Solimões.

 

1672 

– Provavelmente em janeiro – Os jesuítas Manuel Pires e João Maria Gorzoni, na volta do Solimões, entram no Rio Madeira.

 

1676

– Chegam ao Maranhão mais 234 colonos dos Açores.

 

1677

– O governo do Maranhão e Grão-Pará manda estimular o plantio racional de cacau em todo o Estado.

– Ago/30 – O papa Inocêncio XI cria o Bispado do Maranhão, jurisdicionado a Lisboa e abrangendo toda a região amazônica. O primeiro bispo foi dom frei Gregório dos Anjos. 

– Dez/15 – O Padre Geral dos jesuítas, João Paulo Oliva, manda desvincular do Brasil a Missão dos jesuítas do Maranhão e Grão-Pará, que passa diretamente à jurisdição de Lisboa.

 

1678 

– O jesuíta Jódoco Perez (1633-1707), futuro fundador do núcleo originário da atual cidade de Itacoatiara, proveniente da Bahia, desembarca em São Luís. Desse ano até o de 1681 pregou e missionou em várias aldeias da região.

 

1680

– A Capitania geral do Ceará é desmembrada do Estado do Maranhão e Grão-Pará e passa a ser jurisdicionada pela Província brasileira de Pernambuco.

– Abr/01 – Alvará régio desta data confere aos religiosos da Ordem jesuítica o monopólio sobre os descimentos e a conversão dos silvícolas.

– Abr/02 – Escrevendo de Lisboa, o padre Antônio Vieira alerta o padre superior Pedro Luís Gonçalves sobre o potencial do Rio Madeira quanto a sediar ali uma missão da Ordem jesuítica.

 

1681

– O governo do Maranhão e Grão-Pará incentiva a exportação do cacau do Madeira com isenção de todos os impostos.

– Os índios Maué guerream contra os Iruri, no Madeira.

– Mar/07- Criada a Junta das Missões por dom Pedro II, regente desde 1668 e rei de Portugal, a partir de 12 de setembro de 1683.

 

1682

– Chegada à Amazônia da primeira leva de escravos negros.

– Jul/07 – Padre Jódoco Perez assume a Reitoria do Colégio de Santo Alexandre, em Belém.

– Dezembro – O padre Pedro Luís Gonçalves, superior dos jesuítas, volta gravemente doente de uma viagem à missão do Cabo do Norte. No início de 1683 será substituído pelo padre suíço Jódoco Perez.

 

1683

– O Padre Geral Carlos de Noiele, revogando ato de seu antecessor, decreta a saída da Missão regional dos jesuítas do comando de Lisboa e o seu retorno à jurisdição da Província do Brasil.

– Mar/18 – Jódoco Perez assume o cargo de padre superior. Seu antecessor falece em meados de abril.

– Dez/27 – Jódoco Perez comunica ao Padre Geral, em Roma, o estado de intranquilidade ora reinante no Estado do Maranhão e Grão-Pará.

 

FUNDAÇÃO DE ITACOATIARA 

Origem e fundação

Século XVII

1683

– Jun/09 – Jódoco Perez deixa Belém e segue no rumo do Madeira, que o alcança lá pelo dia 28 de agosto.

– Set/07 – Padre Perez chega à foz do Mataurá, afluente do médio Rio Madeira. No dia seguinte reza missa e funda a missão jesuítica de Mataurá.

– Outubro – Padre Perez, depois de uns quinze dias missionando entre os Iruri, volta a Belém onde aporta no final deste mês. Leva consigo um filho do tuxaua Mamorini que, no Colégio de Santo Alexandre aprenderia português e o nheengatu.

 

1684

– Fev/24 – Deflagrado em São Luís o motim do Escambo, sob o comando de Manuel Beckmann, que resultou na segunda expulsão dos jesuítas.

– Fev/28 – Padre Jódoco é preso junto com o padre Aluísio Conrado Pfeil. Em março, o barco que o levava deportado para a Bahia, com mais nove companheiros, é atacado por piratas estrangeiros, e eles são assaltados e torturados.

– Jul/18 – Resgatado, o padre Jódoco volta à Amazônia.

 

1685

– Os líderes da revolta do Escambo são condenados.

– Jan/17 – Jódoco Perez viaja para Lisboa, a fim de expor a expulsão dos jesuítas. De lá é mandado para as cidades de Coimbra e Évora, com o objetivo de listar jovens jesuítas para trabalhar na Amazônia.

 

1686 

– Dez/21 – Criado o Regimento das Missões. Objetivo: disciplinar o recrutamento da força de trabalho indígena, nas formas de descimento e resgate.

 

1687

– Maio – Exilado em Portugal, desde 1685, Jódoco Perez retorna e reassume o superiorado da Missão.

 

1688

– Aceleradas as entradas no Amazonas. O superior Jódoco Perez confirma o padre mercedário frei Teodósio da Veiga como gestor da missão de Saracá. E o padre jesuíta Antônio da Fonseca assume a missão de Tupinambarana.

– O padre João Maria Gorzoni monta estação na missão de Saracá para orientar o descimento de índios dos rios Urubu e Negro para o baixo Amazonas.

– Final do ano – No comando de uma tropa de resgates, o capitão-mor André Pinheiro de Lacerda descobre ouro no Urubu e prata no Rio Uatumã.

 

1689

– No Madeira, colonos portugueses exploram livremente o cacau e outros produtos silvestres.

– Mar/15 – Data provável em que os padres João Ângelo Bonomi e José Barreiros chegam ao Rio Mataurá. Trazem de volta o filho do tuxaua dos Iruri, já batizado e conhecedor da língua geral. Assumem a missão e constroem casa paroquial e uma igreja.

– Nos meses seguintes, além de retomarem a missão dos Iruri, entram em contato com os índios Aripuanã, Paranapixana, Onicoré e Torori, acima e abaixo, cujas aldeias trazem para mais perto do Madeira.

– Jul/30 – O padre jesuíta alemão Samuel Fritz, enfermo, desce o Rio Amazonas e, pelo Paraná do Arauató, ingressa no Urubu. Recebido na aldeia de Saracá, de lá é encaminhado para tratamento em Belém.

 

1690

– Antes de findar o seu mandato, o superior Jódoco Perez baixa Diretório (normas) contendo orientação aos padres das tropas de resgate dirigidas aos índios Iruri, na região do Madeira.

– O padre Jódoco Perez assume a docência do Colégio de Santo Alexandre, em Belém.

– Fev/26 – No Rio Mataurá, João Ângelo Bonomi e José Barreiros adoecem e se obrigam a descer à busca de tratamento. Um ano depois só Bonomi retorna.

 

A missão itinerante

Século XVII 

1691

– Junho – Tropa de resgate comandada pelo capitão João de Seixas, tendo por missionário o padre Manoel Borba, passa pela missão dos Iruri.

– Julho – O padre João Ângelo Bonomi, adoece novamente e se retira definitivamente da missão.

– Agosto – A falta de sacerdote, o assédio de colonos aos índios aldeados e o temor de novos ataques dos índios Maué, levam os moradores de Mataurá a transferirem a missão para um sítio próximo da embocadura do Canumã com o Paraná do Urariá.

– Agosto – O padre Antônio da Fonseca, gestor da missão dos Tupinambaranas, passa a acumular a missão instalada em Canumã – situação que perdurará até final de julho de 1696.

– Set/04 – O jesuíta Samuel Fritz retornando de Belém pleno de saúde, sobe o Amazonas e ultrapassa o Arauató, à direita, e o Rio Madeira, à esquerda. No dia 06 deixa para trás o Rio Preto da Eva.

 

1692

– Início do ano – Tropas de resgates sob o comando dos capitães-mores João de Moraes Lobo e Faustino Mendes invadem a região Canumã-Abacaxis, e de lá retiram índios para torná-los escravos.

– Junho – O padre Antônio da Cunha, a mando do padre João Maria Gorzoni, pratica os índios Abacaxis e conduz muitos deles para o Grão-Pará.

– Dezembro – Os jesuítas Aluísio Conrado Pfeil e João Justo Luca assumem as novas missões de Amatari e Rio Negro, criadas pouco antes.

 

1693

– Início do ano – A tropa de guerra do capitão-mor Hilário de Souza Azevedo declara guerra aos Maué.

– Fevereiro – Padre Aluísio Pfeil adoece gravemente, deixa Amatari, é atendido na missão do Rio Negro e de lá enviado para Belém, que alcança em abril.

 

1694

– Nov/29 – Carta régia rerratifica a de 19 de março do ano anterior liberando aos padres jesuítas as missões da margem direita do Amazonas compreendendo a região do Madeira, onde se inclui a de Canumã.

– Dezembro – O padre superior Bento de Oliveira nomeia ao padre João da Silva, futuro primeiro missionário da missão de Abacaxis, para o cargo de sub- reitor do Colégio de Santo Alexandre.

 

1695

– Epidemia de varíola alastra-se por toda a Amazônia e atinge a missão de Canumã, onde faz vítimas.

 

1696

– Os moradores de Canumã, em face do quadro sanitário desfavorável do lugar, se transferem para um sítio na entrada da populosa aldeia de Abacaxis.

– Maio – Atendendo ao clamor da população de Abacaxis, o novo padre superior José Ferreira nomeia ao padre João da Silva para gerenciar a missão.

– Set/12 – O padre João da Silva, acompanhado do irmão leigo Antônio Rodrigues, assume em Abacaxis.

– Dezembro – O padre superior José Ferreira, em viagem de inspeção às missões do Rio Amazonas, chega à missão de Abacaxis. Passa sete dias batizando e pregando aos índios.

 

1697

– Confirmada a ocorrência no Madeira de vários escravos africanos trabalhando na coleta, compra e venda de cacau, a mando de capitães-mores de Belém.

– O padre Perez, ex-superior dos jesuítas, se aposenta e passa a confessor no Colégio de Santo Alexandre.

– Final de janeiro – O governador Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho, à frente de uma armada de 60 navios, desembarca na missão de Abacaxis. Depois seguiu para o Rio Negro com a missão de visitar a fortaleza da Barra, recém-construída por Manoel da Mota Siqueira.

 

1698

– O ex-superior dos jesuítas, padre Jódoco Perez, acusado de inconfidente pelo Juízo da Coroa do Estado do Maranhão e Grão-Pará, é defendido pessoalmente pelo padre superior José Ferreira.

– Março – O padre João da Silva, substituído em Abacaxis pelo padre Domingos de Macedo, é removido para a missão de Araparipucú, atual Ananindeua/PA.

 

Século XVIII

1707

-Mai/22 – Falecimento em Belém do padre Jódoco Perez.

 

1708

– O capitão Pedro da Costa Rayol guerrea contra os índios do Uatumã e vinga a morte dos padres franciscanos Pedro de Évora e Antônio de Vila Viçosa.

 

1709

– Jan/16 – Morre em Canumã o jesuíta alemão Francisco Xavier de Molovetz, aos 37 anos de idade.

 

1712

– O jesuíta frei João de Sampaio chega ao Rio Madeira e dá início à sua longa trajetória de mais de 30 anos missionando e fundando aldeias na região.

 

1714

– No Rio Urubu, índios Aroaqui, revoltados, tiram a vida ao padre mercedário frei João das Neves.

– Mai/02 – O jesuíta Bartolomeu Rodrigues relatando a situação demográfica do Madeira, faz a primeira referência aos índios Mura. Segundo ele, a tribo dos Abacaxis desponta como a de maior índice populacional. Morre no dia 06 de dezembro desse ano.

– Fim do ano – Os índios Torá descem para a embocadura do Madeira indo atacar a missão dos Abacaxis e aldeias próximas.

 

1715

– Frei João de Sampaio funda nas cabeceiras do Madeira a missão de Santo Antônio das Cachoeiras. Em seguida, assume a administração de Abacaxis.

 

1716

– No Madeira, a tropa de guerra do capitão-mor João de Barros Guerra trucida os índios Torá. Remanescentes dessa tribo integram-se aos Abacaxis, na missão do mesmo nome.

– Os Mura combatem contra a frente de expansão portuguesa, depredam várias aldeias e tomam-lhes os bens. Investindo contra a missão de Abacaxis, destroem os seus roçados de mandioca, matam e aprisionam vários de seus moradores.

– Grupos de índios Mundurucu, procedentes do Tapajós, se insurgem contra os colonos do Madeira. Estes, reunidos em flotilha, sob o comando do capitão Diogo Pinto da Gaia, os expulsam da região. 

 

1718

– O capitão-mor português Diogo Pinto da Gaia enfrenta os índios Mundurucu e Torá, no baixo Rio Madeira.

 

1719

– Mar/21 – De Lisboa, o padre Jacinto de Carvalho envia ao superior da Ordem, padre Manuel de Seixas, uma relação descritiva do Madeira e de alguns costumes da população indígena.

 

1720

– Recrudescem os ataques dos índios Mura no Rio Madeira. O missionário jesuíta João de Sampaio consegue aproximação com uma maloca dessa tribo. 

 

1723          

O sertanista Francisco de Mello Palheta inicia a exploração oficial do Rio Madeira. Alcança a foz do Mamoré e segue seu curso até atingir a aldeia peruana de Santa Cruz. No percurso, sofre vários ataques dos Mura.

 

1725

– O jesuíta frei Diogo da Trindade dá seu testemunho sobre a Igreja em Abacaxis, cujo templo “é bem organizado e dotado de imagens douradas e estopadas, avaliadas em quatrocentos mil réis”.

 

1727

– Fev/15 – O Padre Geral Miguel Ângelo Tamburini eleva a Missão dos jesuítas da Amazônia à categoria de Vice-Província, nomeando o superior dela, padre Manuel de Brito, seu primeiro Vice-Provincial.

– Jun/06 – À morte, nesta data, do Vice-Provincial Manuel de Brito, assume o padre José de Mendonça, logo substituído pelo padre José Lopes.

 

1728

– De uma só vez 624 índios Arara são descidos do médio Rio Madeira e integrados à missão dos Abacaxis.

– João de Sampaio dirige, pela segunda vez, a missão de Abacaxis, onde permanece até meados de 1730.

 

1730

– A população de Abacaxis, engrossada com remanescentes dos índios Torá que escaparam da matança de 1716, é elevada para 932 habitantes.

 

1733

– Frei João de Sampaio assume Abacaxis, pela terceira vez. Deixa-a em 1742 para se dedicar à aldeia de Trocano, atual cidade de Borba.

– Ou/27 – Alvará régio manda proibir a navegação do Rio Madeira. Objetivo: combater a evasão de ouro das minas de Mato Grosso.

 

1742 

– Manoel Félix de Lima e João de Souza Azevedo, desrespeitando as ordens régias, deixam Cuiabá/MT, descem o Rio Madeira e, através do Amazonas, chegam a Belém.

 

1743 

 – Agosto – O geógrafo e matemático francês Charles Marie de La Condamine, retornando do alto Rio Negro, desce o Rio Amazonas e ingressa no Madeira. Em seguida, passa pelo sítio Itaquatiara, a caminho de seu País, via Belém.

 

1744 

– O sargento-mor Francisco Xavier de Moraes, à frente de uma tropa portuguesa, sobe o Rio Amazonas e faz parada no sítio Itaquatiara onde grava em pedra bruta a data de sua passagem.

– Breve ministério do sacerdote jesuíta alemão João Roque Hundertpfund. Após ele, a missão dos Abacaxis fica sob os cuidados de irmãos leigos.

 

1748

– Epidemia de sarampo ataca Abacaxis fazendo centenas de vítimas. O padre Anselmo Eckart informa, a respeito: “os mil homens adultos [da missão] já estavam reduzidos à metade; o sarampo levara, só de crianças, mais de duzentas”.

 

1749

– O padre Teotônio Barbosa, em relatório enviado à sede da Ordem dos jesuítas, em São Luís, dá conta do triste quadro das populações do Madeira, abatidas pelo contágio da varíola. A missão de Abacaxis, então considerada a mais importante dessa região, ficou reduzida a menos de 600 habitantes.

– Os sertanistas Miguel da Silva e Gaspar Barbosa Lima, em conjunto ou isoladamente, viajam pelo Madeira em viagem de exploração. 

– Jul/14 – Expedição dirigida pelo sargento-mor Luiz Fagundes Machado e secretariada pelo mestre-de-campo José Gonçalves da Fonseca, estuda cientificamente o Rio Madeira.

 

1750

– O jesuíta alemão Antônio Maisterbourg passa a atuar em Abacaxis. No ano seguinte deixa a missão e retorna em 1754. Reveza-se no trabalho catequético com o seu compatriota padre Anselmo Eckart, da missão de Trocano, atual cidade de Borba.

– Jan/13 – O Tratado de Madri, celebrado entre as coroas portuguesa e espanhola, reconhece como definitiva a posse de Portugal sobre as terras amazônicas.

– Ago/05 – Em Lisboa assume como primeiro-ministro do rei dom José I, Sebastião José de Carvalho e Mello, mais tarde marquês de Pombal.

 

1751

– Jul/31 – A capital do Estado do Maranhão e Grão-Pará é transferida de São Luís para Belém e invertido o nome para Estado do Grão-Pará e Maranhão.

– Set/24 – O capitão-general Francisco Xavier de Mendonça Furtado é empossado como governador do Estado do Grão-Pará e Maranhão. Fora nomeado por seu irmão, o marquês de Pombal.

 

1752

– Nov/14 – Provisão régia confirma a Resolução de 23 de outubro do Conselho Ultramarino e revoga a Lei régia de 1733 reabrindo a navegação do Madeira.

 

1753

– Os índios do Maranhão já manuseiam machados, facas, porretes e outros objetos de ferro.

– Abr/30 – Mendonça Furtado é nomeado representante da Coroa portuguesa para tratar da questão de limites com os plenipotenciários espanhóis, na forma do Tratado de Madri.

– Jul/01 – O Estado do Grão-Pará e Maranhão é dividido em quatro capitanias subalternas: São José do Rio Negro, Grão-Pará, Maranhão e Piauí, cada qual com seu governador, subordinados a um capitão-general residente em Belém.

 

1754

– Out/12 – Mendonça Furtado, acumulando a função de chefe da comissão portuguesa de limites, à frente de uma comitiva com cerca de 800 pessoas, deixa Belém e segue a caminho do Rio Negro.

– Nov/29 – Ao entardecer, a comitiva de Furtado alcança a enseada do Jauari, à entrada de Itacoatiara, onde pernoita. Na manhã seguinte, antes de partir, o capitão-general manda rezar missa e gravar em pedra bruta a data de sua passagem pelo lugar.

– Dezembro – O jesuíta húngaro e astrônomo real, padre Inácio Samartone, passa alguns dias em Abacaxis medindo a altitude do polo norte. Administrava a missão o padre alemão Anselmo Eckart.

– Dez/28 – Mendonça Furtado desembarca em Mariuá, a atual Barcelos, e fica aguardando o representante da comissão de limites espanhola.

 

1755

– Mendonça Furtado declara guerra aos Mura. Estes, não paravam de investir contra as feitorias de cacau e as povoações de Abacaxis e Trocano, “dando-lhes sangrentas escaramuças”.

– Mar/03 – Carta régia desta data cria a Capitania de São José do Rio Negro, subordinada ao Estado do Grão-Pará e Maranhão.

– Abr/04 – Alvará com força de lei concede privilégios aos portugueses que casassem com índias. A primeira experiência nesse sentido foi feita em Borba.

– Abr/13 – Criada a Vigararia-Geral do Alto Rio Negro. Em dezembro assume como vigário-geral o padre José Monteiro de Noronha.

– Jun/06 – O governo português, para incentivar a produção e o comércio, manda instituir a Companhia Geral do Comércio do Grão-Pará e Maranhão.

– Jun/07 – Lei do Diretório dos Índios cria uma nova política indigenista; estabelece total liberdade à população indígena, que passa a dispor livremente de suas pessoas e de seus bens.

– Dez/20 – Mendonça Furtado ingressa no Madeira.

 

1756

– Jan/01 – Mendonça Furtado eleva a missão de Trocano à categoria de vila, com o nome de Borba, a Nova. Em seguida entra em contato com os moradores da missão de Abacaxis.

– Junho – Os padres Anselmo Eckart e Antônio Maisterbourg, gestores respectivamente de Trocano e Abacaxis, por recusarem obediência ao marquês de Pompal, são retirados do Madeira e transferidos para Belém.

 

1757

– Acelerada a entrada de escravos negros no Grão-Pará e Maranhão. Vários deles são empregados nas    feitorias de cacau do Rio Madeira.

– Os moradores de Abacaxis, cansados da perseguição dos Mura, e procurando um lugar mais propício à sua saúde e tranquilidade, abandonam as imediações da Ilha de Tupinambarana indo se fixar à margem esquerda do Rio Madeira, quase defronte ao sítio onde é hoje a cidade de Nova Olinda do Norte.

– Mai/03 – Mendonça Furtado regulamenta o Regimento do Diretório: as aldeias seriam vilas e lugares; os índios iriam exercer funções políticas; e criar-se-ia a figura do diretor de povoado.

– Jul/14 – O coronel-de-infantaria Joaquim de Melo e Póvoas é nomeado governador da Capitania de São José do Rio Negro.

– Set/03 – Em Lisboa é baixada uma lei determinando a expulsão dos jesuítas da Amazônia.

– Nov/28 – Presos em Belém, os jesuítas Anselmo Eckart e Antônio Maisterbourg à ordem do governador Mendonça Furtado, são desterrados para Lisboa.

– Out/25 – Furtado baixa instruções acerca das obrigações políticas e militares do coronel Joaquim de Mello e Póvoas, futuro governador da Capitania de São José do Rio Negro, inclusive mandando substituir os nomes gentílicos das aldeias prestes de instalar por topônimos portugueses – Abacaxis passaria a ser Serpa, homenageando-se à freguesia do baixo Alentejo na região meridional de Portugal.

A travessia

Século XVIII

1758

– Jan/15 – Mendonça Furtado deixa Belém e inicia sua segunda viagem ao alto Rio Negro. No território amazonense, ruma direto para o Madeira tomando direção pelo Paraná do Urariá.

– Abr/16 – Após visitar Borba, contata com os moradores de Abacaxis e os aconselha a mudar de endereço indo para outro sítio “que lhes parecesse melhor a bem da sua saúde e da sua conveniência”.

– Abr/18 – Os moradores de Abacaxis chegam ao sítio Itaquatiara: é a quarta transladação do povoado que iria propiciar a instalação da sede municipal.

– Mai/06 – Já no alto Rio Negro, Mendonça Furtado instala a vila de Barcelos que passa a sediar a Capitania de São José do Rio Negro, inaugurada no dia seguinte. Na sequencia, dá posse ao governador, seu sobrinho afim, Joaquim de Mello e Póvoas.

– Jul/04 – Mendonça Furtado comunica ao ministro de Ultramar, Tomé Joaquim da Costa Corte Real, a transferência da missão de Abacaxis do Madeira para a margem esquerda do Rio Amazonas.

– Set/14 – Carta régia autoriza ao governador Mendonça Furtado promover a secularização da aldeia missionária de Abacaxis e outras inseridas na região, dando-lhes o estatuto de vilas ou povoados.

– Dez/26 – Mendonça Furtado retorna a Belém. Transfere o governo ao seu substituto, dom frei Miguel de Bulhões, e viaja para Lisboa a fim de assumir o cargo de ministro da Marinha e Ultramar.

– Dez/31- Encerrados os preparativos para a cerimônia do dia seguinte (01/jan/1759) em que o povoado da margem esquerda do Amazonas será graduado em vila. No local se encontram, desde a véspera, o governador Joaquim de Mello e Póvoas, o vigário-geral padre José Monteiro de Noronha, a força militar, feitores, comerciantes, índios aculturados e as pessoas previamente escolhidas para tomar posse como agentes públicos.

 

*O texto acima se refere ao Capitulo IV do livro Fundação de Itacoatiara, 1º volume da trilogia ITACOATIARA 330 ANOS, do autor, lançado na cidade de Itacoatiara em 18/09/2013.
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