Conferência Indigenista

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No último sábado, dia 3 de junho, o Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), dando sequência às festividades alusivas ao seu centenário, celebrado em 25 de março deste ano, premiou a classe estudiosa do Amazonas com a conferência do fotógrafo indigenista Renato Soares, intitulada “O Índio e a Fotografia”. Como é óbvio, o importante evento cultural aconteceu na sede social do Sodalício, à Rua Bernardo Ramos, número 117, no centro histórico de Manaus. 

O evento teve início às 10:00 horas do dia e prolongou-se por cerca de duas horas corridas, fato sem dúvida atribuido à relevância do tema abordado e à expertise do autor, que resultaram numa clara e perfeita interação com a seleta plateia. Além da Presidente do IGHA, professora doutora Marilene Corrêa, do Vice-Presidente, historiador Francisco Gomes da Silva, e da Tesoureira, historiadora Ednea Mascarenhas, marcaram presença os consócios Pedro Lucas Lindoso, Paulo Feitosa Filho e João Bosco Botelho, a antrópologa amazonense Magela Andrade e outros vultos da intelectualidade amazonense.  

Renato Soares é natural de São Paulo. Iniciou sua carreira em 1986 – “eu queria ser músico, não fotógrafo!” -, mas só conheceu e se identificou com os índios em 1991. Antes disso e por três anos, fotografou para jornais, revistas, publicidade, moda, para casamentos e batizados… “Fazia de tudo naquela época, mas, em novembro desse ano, viajei para a Amazônia e andei pelo Vale do Javari, entre outros vales. Foi ali que tudo começou e, com o passar dos anos, me tornei um especialista, um indigenista”.

Foram 15 anos fotografando arte popular da América Latina, parques nacionais do Brasil e publicando livros diversos, além de guias de turismo. Através de sua empresa Imagens do Brasil, pretende retratar e documentar todas as etnias indígenas do nosso país. “São 305 etnias, com suas 274 línguas, que os brasileiros não conhecem. O índio não tem voz! E, às vezes, nem imagem! A dedicação às causas indígenas se fortaleceu há dez anos, quando criou o projeto Ameríndios do Brasil. Enfatiza:Um dos meus objetivos com este projeto é dar voz para eles. Desde então, não sei fazer outra coisa que não documentar os índios. Não tenho mais cabeça para fazer outro tipo de trabalho”. As expedições nunca param e, este ano, Renato voltou ao Xingu em abril – para um tempo de imersão –, quando fotografou e filmou os índios. Com as nove etnias do Alto Xingu, ele tem planos para o cinema.

Renato Soares é o autor do vídeo Krahô – Os filhos da Terra, onde apresenta a atmosfera da aldeia vista do alto da serra ao som de um de seus belíssimos cantos. Renato e membros da aldeia Krahô contam um pouco mais sobre esse povo que gosta de cantar. O povo Krahô – cerca de 830 índios -, que pertence à grande família Timbira e habita, há milhares de anos, uma reserva de mais de 302 mil hectares na região nordeste do Estado do Tocantins, próxima aos municípios de Itacajá e Goiatins. Apesar de manterem contato frequente com nossa civilização há mais de 200 anos, os Krahô não perderam seus costumes e tradições. “Seus cantos ainda ecoam no interior do Cerrado e nos levam a um universo de pura magia e encantamento”, conta Renato.

Recentemente, para complementar a campanha do projeto Ameríndios do Brasil, o fotógrafo indigenista criou uma série limitada de 50 camisetas e outra de 20 impressões (com pigmento mineral sobre papel algodão no formato de 40×26 emolduradas em canela preta com vidro), com imagens de seu portfólio. 30% do valor das vendas de ambas são destinados para a comunidade retratada. Mais informações em sua página no Facebook.

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