Francisco Gomes da Silva

  • Historiador e acadêmico. Professor e escritor.
  • Natural de Itacoatiara/AM. Nasceu em 24.11.1945.
  • Filho de Pedro Gomes da Silva (1906 -1991) e Olívia Maria de Arruda Gomes (1913-1971).
  • Casado há 46 anos com Maria de Fátima Oliveira Gomes. Pai de três filhos e avô de quatro netos.
  • Advogado regularmente inscrito na OAB/AM. Promotor de Justiça de Segunda Entrância aposentado.
  • Sócio efetivo da Associação Amazonense do Ministério Público (AAMP), da Associação de Escritores do Amazonas (ASSEAM), do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Academia Amazonense de Letras (AAL).
  • Sócio correspondente do CBG – Colégio Brasileiro de Genealogia (Rio de Janeiro/RJ), correspondente fundador do IHGTap –  Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós (Santarém/PA) e benemérito da AIL – Academia Itacoatiarense de Letras.
  • Eleito em 18 de agosto de 1968 para a Poltrona nº 14 do IGHA, mais tarde renumerada para 26, patrocinada pelo naturalista suíço Jean Louis Rodolphe Agassiz (1807-1873) , e na qual foi empossado em 25 de março de 1969 com recepção do Orador Oficial Padre Raimundo Nonato Pinheiro (1922-1994). Dos associados vivos é o segundo mais antigo dessa Instituição, apenas precedido pelo ex-senador José Bernardo Cabral que tomou posse em 05.09.1968.  Foi Secretário (1970/1971), Orador Oficial (2001/2002), Vice-Presidente (2003/2004), e Presidente interino (2004) e é atualmente Vice-Presidente do Sodalício (biênio 2017/2018).
  • Na AAL ocupa a Cadeira nº 20, cujo patrono é o polígrafo brasileiro João Ribeiro (1860-1934). Eleito em 24 de setembro de 1999, tomou posse em 14 de abril de 2000, sendo recepcionado pelo acadêmico Robério Braga. Nessa Instituição exerceu os cargos de Tesoureiro (2004/2005), Secretário Geral (2006/2009) e membro titular do Conselho Fiscal (2010/2011).
  • Pertenceu ainda às seguintes entidades: Associação Brasileira de Reforma Agrária (Brasilia/DF); Associação Paulista de Hospitais (São Paulo/SP); Associação dos Hospitais do Estado do Amazonas (Manaus/AM); União Brasileira de Escritores do Amazonas (Manaus/AM); e Associação Dom Jorge Marskell (Itacoatiara/AM).
  • Leitor voraz e pesquisador experiente, iniciou a atividade de escritor aos 16 anos (1961) e lançou o seu primeiro livro aos 19 (1965). Efetivamente são cinquenta e seis anos de convívio com as letras completados em 2014. Ressalte-se que, em razão do extravio dos respectivos originais nos escaninhos da SEDUC, no início da ditadura de 1964, resultou frustrada sua pretensão de estrear em meados daquele ano com um livro de poesias. Inobstante, seu primeiro trabalho, “Itacoatiara. Roteiro de uma cidade”, integrante da Coleção Paulino de Brito das Edições Governo do Estado do Amazonas, prefaciado pelo amazonólogo Arthur Cézar Ferreira Reis (1906-1993), foi lançado na abertura oficial da Rodovia Manaus-Itacoatiara – 05 de setembro de 1965. Seguiram-se-lhe duas outras obras, em 1970 e 1979. Embora jamais tenha descurado da pesquisa historiográfica, outros títulos voltaram a ser editados a partir de 1997. Na verdade, a função de Promotor de Justiça no interior do Estado e a incursão do Autor pela política partidária interromperam, por quase vinte anos (1979/1997), uma trajetória literária que prometia ser forte em quantidade e talvez em qualidade. Somente depois de aposentado pelo Ministério Público e de haver abandonado a política é que retomou a atividade de escritor (1997). Até aqui são treze livros publicados e outros quatro em fase de conclusão (acessar a página “Publicações”).
  • Originário de família numerosa, começou a trabalhar aos 13 anos de idade. Em Itacoatiara foi doceiro, auxiliar de carpinteiro, carreteiro no Mercado Público, carregador na Usina de Beneficiamento de Castanha de I. B. Sabbá & Cia., jornaleiro, balconista, entregador de mercadorias e conferente de carga e descarga no porto da cidade; e, já em Manaus, após os 18 anos, atuou como balconista na firma J. G. Araújo & Cia. (1965), repórter policial em “A Crítica” e colunista literário no “Jornal do Comércio”. Desde então e ao longo de quase meio século desenvolveu atividades profissionais no serviço público e na iniciativa privada, como as de servidor concursado da Fundação SESP (Ministério da Saúde) em 1965/1970; assessor administrativo e jurídico da Santa Casa de Misericórdia de Manaus (1970/1976); assessor sindical e jurídico da CONTAG/AM (1974/1975); fundador e assessor da FETAGRI/AM (1975/1976); fundador e secretário executivo da Associação dos Hospitais do Estado do Amazonas (1974/1976); membro de Grupo Tarefa da Comissão Justiça e Paz da CNBB Norte I (1975/1976); assessor jurídico e fundiário da SEPROR/AM (1977); assessor parlamentar e chefe de gabinete na Assembleia Legislativa do Estado (1977 e 1999/2005); executor do Projeto Fundiário Manaus e Advogado da Divisão Fundiária do INCRA/AM-RR/Ministério da Reforma e do Desenvolvimento Agrários (1977/1978); Promotor de Justiça do Ministério Público do Estado do Amazonas, admitido por concurso de provas e títulos: titular da Promotoria de Justiça de Primeira Entrância da Comarca de Itapiranga e, por substituição, em exercício nas comarcas de Silves, Maués e Itacoatiara (1978/1983); promovido por antiguidade à Segunda Entrância, foi titular da 8ª Promotoria de Justiça, da 4ª Curadoria Judicial, da Curadoria de Família e Sucessões e da 3ª Vara Criminal – todas na Comarca da Capital (1983/1986); presidente honorário da Comissão Especial pró-titulação de terras da Prefeitura Municipal de Itapiranga (1979); consultor jurídico da Cooperativa Mista Agropecuária de Itacoatiara (1981/1984); disposicionado ao gabinete do governador do Estado do Amazonas nos períodos 1983/1984 e 1988/1989; consultor jurídico da Prefeitura Municipal de Itacoatiara (1989/1992); assessor jurídico da Câmara Municipal de Itacoatiara (1990/1991); assessor jurídico e coordenador do Núcleo de Questões Fundiárias e da Coordenadoria de Questões Judiciais da Procuradoria-Geral da SUFRAMA/Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (1997/1999); e diretor/tesoureiro da Associação de Amigos da Cultura (2002/2009).
  • Em 1990, contratado pelas respectivas câmaras municipais, redigiu os anteprojetos de Lei Orgânica dos municípios de Itacoatiara, Itapiranga e Silves. Referidos textos, depois de ouvidos vários segmentos da população, discutidos e votados em plenário, foram aprovados e transformados em Lei Fundamental dos aludidos entes federativos.
  • Concluiu o antigo curso primário e o ex-ginasial em Itacoatiara (1953/1964) e o de Magistério de nível de segundo grau no Instituto de Educação do Amazonas em Manaus (1965/1967). Fez o primeiro ano de Pedagogia na ex-Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da UFAM (1968) e graduou-se pela antiga Faculdade de Direito da mesma Universidade (1968/1972). Foram inúmeros os seminários, encontros e cursos de extensão e/ou aprimoramento intelectual e profissional de que participou, tanto em Manaus (vários anos), como em Brasilia/DF (vários anos), São Paulo (1972 e 1973), Caxias do Sul/RS (1975), Recife/PE (1975), Rio de Janeiro (1975 e 1976), Cuiabá/MT (1977), Boa Vista/RR (1977), Macapá/AP (1998) e outros centros.
  • Na juventude participou de movimentos de política estudantil, fundou e dirigiu o jornal “O Idealista”. Secretário-Geral (1962) e Presidente (1963) do Grêmio Estudantal “Fernando Ellis Ribeiro”, da ex-Escola Comercial de Itacoatiara, nesta função liderou a campanha que resultou na estadualização do estabelecimento pelo governador Plínio Ramos Coelho (1920-2001), conforme decreto Ad Referendum da Assembleia Legislativa nº 57, de 14 de março de 1963, que desde logo passou a ser Ginásio (e posteriormente Escola) Estadual “Dep. Vital de Mendonça”. Despontou no I Seminário de Estudos Educacionais do Baixo Amazonas, realizado em Itacoatiara paralelamente ao Congresso Anual da UESA em 1963, e foi orador de sua turma (1964). Em Manaus foi ativista do Diretório Acadêmico da Faculdade de Direito e articulista do jornal “Folha Acadêmica” (1968/1972).
  • Em 1966, ainda um estudante do Instituto de Educação do Amazonas, irrequieto e prenhe de civismo, assinou o livro de fundação do MDB, partido de oposição ao regime militar implantado no País dois anos antes. Posteriormente, integrando a chamada Ala Autêntica do PMDB, liderou em Itacoatiara a luta pela redemocratização do Brasil. Como partícipe dos movimentos Pró-Anistia e Eleições Diretas Já! saudou o presidente nacional do Partido, deputado Ulysses Guimarães (1916-1992), quando de suas visitas a Itacoatiara  em 1976 e em 1977. Candidato da oposição à Prefeitura de Itacoatiara (1976) foi vítima de pressões políticas, econômicas, psicológicas e morais. Mesmo derrotado, recebeu nesse pleito o segundo maior número de sufrágios entre cinco concorrentes. Disputou novamente o cargo de prefeito municipal em 1982, sendo o mais votado com quase quarenta por cento do total de votos conferidos a seis candidatos inscritos. Sua vitória não foi reconhecida pela Justiça Eleitoral em razão da sublegenda, artifício jurídico aprovado pelo Congresso Nacional, à época sob a pressão do regime militar, para barrar a vitória dos candidatos majoritários da oposição em todo o Brasil. Em 1986 rompeu com o governador Gilberto Mestrinho (1928-2009), desligou-se do PMDB e se inscreveu no PSB para aderir ao Movimento “Muda Amazonas”. Participou das eleições proporcionais daquele ano, recebeu expressiva votação sendo diplomado 3º suplente de deputado estadual. Reassumiu suas funções no Ministério Público Estadual e em seguida delas desligou-se para concorrer às eleições de 1992 pelo PST, sendo eleito vereador à Câmara Municipal de Itacoatiara. Empossado no ano seguinte e logo integrado à bancada da oposição, promoveu intensa batalha parlamentar em prol da ética e contra os desmandos políticos. Em meados de 1995, ainda que houvesse transcorrido apenas a metade do seu mandato, por desencanto renunciou à vereança e se desligou definitivamente da atividade político-partidária.
  • Há cinquenta e seis anos ocupado em estudar e divulgar a trajetória histórica de Itacoatiara, sempre se pautou pela intransigente defesa da cultura municipal. Uma clara, fortíssima vocação telúrica o motiva e conduz a estar sempre e permanentemente a serviço da comunidade onde nasceu. Em meados de 2009, designado pela presidência da Academia Amazonense, orientou os intelectuais de sua cidade a fundar a Academia Itacoatiarense de Letras, instituição que vem se destacando no cenário cultural do Estado. Maior expressão da historiografia itacoatiarense, igualmente reconhecido pelas inúmeras entrevistas e palestras proferidas em sua cidade, na capital e fora do Estado, é citado e  ou bibliografado nas obras de Almir Diniz, Ana Flávia Moreira Santos, Anísio Melo (1927-2010), Antonildes Mendonça, Antonio Souto Loureiro, Armando de Menezes, Carlos Rocque, Claudemilsom Santos, Dilma Braga, Elson Farias, Ester de Figueiredo, Francisco Calheiros, Francisco Fiuza Lima (1908-1998), Guilherme Fernandes, Heloiza Chaves Pinto, Henriqueta Spínola, Leila Leong, Manoel Domingos, Márcio Souza, Ozório Fonseca (1939-2015), Padre Celestino Ceretta, Robério Braga, Samuel Benchimol (1923-2002), Sylvia Aranha, Luciana Karoline de Oliveira e outros. Os seguintes ex-presidentes da Academia Amazonense de Letras, repetindo comentários elogiosos de inúmeros outros escritores regionais, assim se manifestaram a seu respeito: “Francisco Gomes da Silva é um escritor de vocação [que] se converteu no primeiro e mais autorizado historiador de Itacoatiara, desde os albores da juventude” (Elson Farias); e “[Francisco Gomes entregou-se] ao registro e à reflexão da história de sua cidade… Seus vínculos afetivos com Itacoatiara são praticamente de natureza conjugal, pela permanência e pela dedicação. Esse amor por sua cidade resultou em momentos duradouros da produção intelectual amazonense” (Max Carphentier).
  • Dentre as várias homenagens recebidas, em 07 de dezembro de 2004 foi agraciado com a comenda “Ordem do Mérito Legislativo”, na categoria Mérito Especial, instituída pela Presidência da Assembléia Legislativa do Estado; em 03 de outubro de 2003 a placa de festejo e aplauso da mesma Assembléia Legislativa; e, em 15 de dezembro de 2014, com a “Medalha Dr. João Valério de Oliveira de Honra ao Mérito Cultural”, instituída pela Presidência da Câmara Municipal de Itacoatiara – todas reconhecendo a sua atuação em defesa da cultura amazonense.

Galeria pessoal de Francisco Gomes da Silva