Autodefinição

0
868
*Oscar Niemeyer (1907-2012)

 

Na folha branca de papel faço o meu risco.
Retas e curvas entrelaçadas
E prossigo atento e tudo arrisco
na procura das formas desejadas.
São tempos e palácios soltos pelo ar,
pássaros alados, o que você quiser.
Mas se os olhar um pouco devagar,
encontrará, em todos, os encantos da mulher.
Deixo de lado o sonho que sonhava.
A miséria do mundo me revolta.
Quero pouco, muito pouco, quase nada.
A arquitetura que faço não importa.
O que eu quero é a pobreza superada,
a vida mais feliz, a pátria mais amada.

*Grande brasileiro, falecido em 05.12.2012, às vésperas de completar 105 anos de idade. Deixou sua arquitetura inconfundível como legado em todo o País, em cidades como Brasília, Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba. Desenvolveu projetos em Nova York, na Argélia e na França. Além de dominar a prancheta, foi um bom poeta – a exemplo do texto acima.
Compartilhar
Autor Externo
As publicações são fontes externas de outros veículos de comunicação.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário
Por favor informe seu nome aqui