Adriano: Forte como a morte

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“Há mais de dez anos o médico e professor Aristóteles Alencar Filho instigou a que proferisse uma palestra sobre a vida e obra de Adriano Augusto de Araújo Jorge, um dos grandes de todos os tempos e o mais expressivo professor, jornalista e médico da Manaus dos anos 1900.

Fazia muito que lia e relia, catava e cascavelhava os artigos e notícias de jornal referentes a Adriano, padrinho de casamento de meus pais e padrinho de batismo de meu irmão José, portanto, com laços de intimidade com minha família que se prolongaram por seu filho Ruy Adriano e por todos os seus descendentes, ainda agora.

Aceito o desafio, proferi a palestra na presença de muitos médicos que conheceram mestre Adriano no dia a dia da profissão, como Akel Nicolau Akel, Arlindo Frota, Ney Lacerda, os quais, entusiasmados, saíram contando coisas e coisas que aumentaram ainda mais a minha motivação antiga em conhecer melhor a vida de Adriano.

Depois de muitos anos de pesquisa, leituras longas de jornais, conversas com minha mãe, troca de opiniões, apoio e dedicação incondicional da minha Rosa, eis que chega a público, sem alardes e sem lançamento oficial, uma modesta contribuição que deixo à minha terra, enfocando a longa e brilhante trajetória de Adriano Jorge em todas as vertentes de sua profícua atuação. Na política, na imprensa, no magistério, na pesquisa científica, na tribuna acadêmica, na vida estudantil na Faculdade de Medicina da Bahia, no Ideal Club, procurando demonstrar o homem e o pensador algumas vezes injustiçado pelos que não compreenderam as suas ideias avançadas no tempo e também porque, com certeza, não leram a sua grande produção jornalística.

O título do livro preserva o dígito de vida por ele adotado: “forte como a morte”. Por si só simboliza a força interior do pensador, a grandiloquência do orador sempre festejada por todos que o ouviram nas praças públicas, na tribuna da Assembleia e da Câmara de Manaus, na Academia de Letras.

Fundador e primeiro presidente da nossa quase centenária Academia dirigiu a Casa por trinta anos, e, também por isso, a sede da instituição recebe seu nome, e mais do que isso, deu a ela a firmeza para a continuidade, a solidez das grandes inciativas, o prestígio de sua inteligência e o fulgor da sua palavra.

Na política, campo em que se debateu durante anos, não conseguiu vencer os grupos oligárquicos que dominavam nossa terra, mas não se abateu por isso nem deixou de ter o reconhecimento de grande parte da população, enfrentando todos os desafios de peito aberto, mesmo  as tentativas de empastelamento e incêndio de seu jornal, ocasião em que saiu às ruas para enfrentar, pessoalmente, os que tentavam calar a voz de oposição que ele representava.

Ao lado de tudo isso fui descobrindo facetas muito íntimas de sua vida, historietas, contações, casos curiosos que demonstram seu lado humano e espirituoso, e a grande e importante influência que exerceu indistintamente na vida artística e cultural de Manaus.

Contando parte de sua vida conta-se, também, um pouco da história política e social do Amazonas.

Ao Aristóteles cabe um obrigado fraterno pela provocação que redundou no modesto livro.

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Roberio Braga
*Amazonense de Manaus. Historiador. Bacharel em Direito, especializado em Direito Agrário, pós-graduado em Administração de Política Cultural e Mestre em Direito Ambiental. Professor da Escola Superior da Magistratura do Amazonas e da Universidade do Estado do Amazonas. Ex-presidente da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas. Secretário de Estado de Cultura, desde 1997 até esta data.

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