A origem do mal

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Em meados de 2008, quando cursava a pós graduação em psicologia jurídica, aprofundamos nossos estudos acerca da origem do mal.
Fizemos uma análise crítica sobre o filme Haniball, e obtivemos algumas informações sobre o surgimento do mal. Com isso, despertou-me, uma vontade irrefutável em transformar-me em um ser humano melhor a casa segundo de vida.

Maldade ou crueldade é cometer alguma coisa fora da ética padrão de determinada sociedade quando envolve danos à saúde de algum animal, em especial à saúde humana. Maldoso ou cruel é a característica de alguém ser mal ou cometer maldades. Aí nos deparamos com a seguinte pergunta: “O homem nasce bom e a sociedade o corrompe?

A violência tem acompanhado a humanidade durante todo seu percurso, sendo que a barbárie sempre foi uma constante no relacionamento das pessoas sem que isso fosse considerado necessariamente maldade. Entre os diversos conflitos liderados pela bandeira do autoritarismo observa-se a predominância da imposição dos interesses individuais acima do valor da vida humana. Vivenciamos uma realidade mundial permeada pela violência do homem contra o homem. E este tem a violência em sua natureza, porém, a maldade parece ser algo típico da vida em sociedade.

É exatamente pela vida em sociedade ter reprimido a violência natural do homem, é que esse se tornou tão perverso. E como não precisamos mais matar para comer, inventamos outros motivos para saciar nossa sede de sangue. O homem tem a maldade em sua essência, basta ligarmos a TV para confirmar as atrocidades que o homem independente, de educação, situação econômica ou religião comete. Antes eram as guerras, os conflitos entre as nações. Atualmente sentimentos vis como ciúmes, ambição e inveja tornaram-se justificativas para a morte, para agredir o próximo.

Paramos para refletir, onde encontram-se os valores e princípios que  norteiam um ser humano de bem? Reflitamos: Porque eu tenho o desejo de fazer o bem, mas não consigo executá-lo? Por que não faço o bem que quero fazer, mas o mal que não quero fazer e continuo eu a fazer?

A maldade é própria do homem, e se repararmos bem, veremos que todas as pessoas são ruins. Já a sociedade é o lugar propício para a barbárie. Nós nascemos ruins, mas a sociedade constrói os monstros. Freud não enganou-se quando em seus escritos em “O mau estar da civilização, afirma que, quanto mais o homem civiliza-se, mais tornar-se neurótico”.

A vida de cada um é regida por dois princípios que se conflitam, o princípio do prazer e o principio da realidade, que também podem ser chamados instinto de vida e instinto de morte. Enquanto que o primeiro fundamenta-se em interagir na civilização de forma a aproximar os indivíduos, trabalhando em favor da vida comunitária, o segundo age de forma oposta, ou seja, contra a civilização.

Nossa história evolutiva nos mostra uma descendência de primatas violentos, como se bem observa ainda nos chimpanzés. Como dizia Nietszche: “o vir a ser arrasta consigo o que já foi”. Não estou aqui defendendo um pré-determinismo biológico, mas vejo, na maioria dos casos, a sociedade como um possível remédio e não como causa da vileza humana.

Às vezes tenho certeza de que a culpa é da sociedade. Mas, afinal, não seria a sociedade um conjunto de homens?

Maldade, porém, sempre existiu. Não é à toa que, há mais de dois mil anos, o melhor dos homens, o mais bondoso, o mais justo, morreu pelas mãos de seus semelhantes. Nem mesmo Jesus Cristo conseguiu sair incólume da ira da humanidade. Desde muito, antes dele até hoje o mal continua a existir, seja nas guerras, no tráfico de órgãos, nos danos à natureza, nas atrocidades dos regimes totalitaristas, no preconceito com o diferente, nos assassinatos por dinheiro, poder, ciúme, inveja.

Porém, é necessário, que a cada dia possamos evoluir tanto por dentro, quanto por fora, afim de não deixarmos aflorar desordenadamente nossos instintos primitivos e consequentemente sairmos matando todo mundo ou cometendo tantas maldades.

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Fabiolla Fonseca
Psicóloga, nascida em Itacoatiara, casada e mãe de duas filhas. Especialista em Psicologia Jurídica.

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