A farsa

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A posse da presidente Dilma Rousseff foi um fiasco, tosco show de populismo barato e farsante. O discurso, pronunciado pleno de meias verdades e autoelogios descabidos, sem qualquer consistência. Para começar, nenhuma menção ao estado de guerra civil aberta deflagrada pelas quadrilhas, gangues de morros, becos e bairros miseráveis que vêm subjugando praticamente todas as capitais brasileiras; da mesma forma nada disse sobre os chefões e o fortíssimo corredor do tráfico de drogas que transformou o Brasil no segundo maior consumidor mundial de cocaína depois dos Estados Unidos.

Dilma fugiu dessas “particularidades” como o diabo da cruz.

Os escândalos do PTrolão tornaram-se, aparentemente, nada mais que um detalhe, mas que possibilitou, segundo a presidente, ao governo promover investigações profundas e definitivas. Ao governo? Que governo? Efetivamente, a roubalheira foi denunciada pela imprensa, assumida pelo Ministério Público, Polícia Federal e Procuradoria Geral da República. Nem Dilma Rousseff nem o Ministério da Justiça, menos ainda o Congresso Nacional tiveram qualquer participação no curso das denúncias e investigações que já levaram mais petistas e empreiteiros para a cadeia.

O Brasil é a sétima economia, posto que logo vai perder para a Índia, tem a terceira maior reserva cambial do Planeta, mas só. Enquanto isso nosso IDH, o sistema educacional, de saúde e segurança pública ocupam posições ridículas no ranking mundial e da própria América Latina.

De acordo com o Mapa da Violência 2013 – Mortes Matadas por Armas de Fogo, estudo finalizado recentemente pelo sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, a violência continua crescendo de forma preocupante no Brasil, sendo comparável a países que vivem em conflitos e guerra.

O autor do estudo utiliza um relatório publicado em 2011 pelo Secretariado da Declaração de Genebra, Relatório sobre o Peso Mundial da Violência Armada, como forma de comparação para entendermos os números da violência no Brasil.

O relatório mostra todos os 62 conflitos armados (entre esses: Afeganistão, Colômbia, Somália, Israel-Palestina, Iraque, Sudão, etc) que ocorreram no mundo, entre 2004 e 2007.

Os resultados são alarmantes. O Mapa da Violência aponta que, nesses conflitos, o número de mortes total foi de 208.349. No mesmo período, o número de homicídios no Brasil foi de 192.804. Isto é, o País alcançou, praticamente, o mesmo número de assassinatos por arma que todos aqueles mencionados conflitos armados juntos no mesmo período.

Para a presidente Rousseff e a base aliada no poder trata-se, com certeza, de aspectos “pouco relevantes”. Contudo, mesmo que o mais importante, a a estrutura de poder tenha sido mantida, a posse da presidente reeleita demonstrou cabalmente que nem a mandatária nem seu partido, o Pt, goza de autoridade plena.

A presidente não passa de refém dos partidos aliados. Quem manda de fato é o PMDB, Michel Temer, o Richelieu brasiliano, mais forte do que nunca, mesmo que por detrás do pano. Meno male. O que não seria do Brasil com o Pt comandando a máquina pública, em especial a Fazenda, o Planejamento, a Diplomacia, Minas e Energia, Ciência e Tecnologia, a Agricultura ou a Indústria e Comércio?

Provavelmente, caso único na história das nações democráticas, o Executivo no Brasil é uma farsa. Não é montado para governar, mas tão somente para dar sustentabilidade política ao grupo eleito e ao seu projeto de poder. Vencedor, de fato, porém a um custo muito alto. Observe-se a propósito a situação de miséria em que se encontram as contas públicas do País.

O Planalto teve a audácia, com a conivência criminosa do Congresso, de desfigurar, desfigurar não, de rasgar a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e a Lei de Diretrizes Orçamentária (LDO), das maiores conquistas do Plano Real, para fechar, a martelo, como se diz no jargão da Contabilidade, o Balanço da União.

Pior ainda, a Petrobras não encerrou o Balanço do último trimestre de 2014, o qual não terá, como de lei, auditoria externa, dispensada pela Diretoria da empresa. Crime

O Ministério é outra aberração, composto de 39 órgãos. Abriga um governador envolto em diversos atos de corrupção para a Educação, e um pastor protestante, sem qualquer experiência mo ramo, para os Esportes. Um Raí, uma Magic Paula, um Bernardinho, um Leonardo, uma Hortensia sequer são ouvidos na montagem desse aparato. Certamente o “condutor de almas” entende muito mais de futebol, vôlei, atletismo, natação, Olimpíadas do que qualquer um desses atletas que tantas glórias proporcionaram ao Brasil.

A foto em anexa exibe a presidente Dilma Rousseff e seus 39 ministros. Como se depreende, pela quantidade de seus integrantes, o Ministério brasileiro demonstra ser muito mais um pelotão militar do que uma e1jan2014---a-presidente-dilma-rousseff-posa-para-foto-oficial-com-seus-ministros-logo-apos-cerimonia-de-posse-no-palacio-do-planalto-em-brasilia-nesta-quinta-feira-1-1420148219991_956x551quipe de governo.

 

 

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Osíris Silva
O economista Osíris M. Araújo da Silva é consultor de empresas, ex-secretário Municipal de Economia e Finanças da PMM, ex-secretário da Indústria, Comércio e Turismo e ex-secretário da Fazenda do Amazonas. É presidente da AMAZONCITRUS – Associação Amazonense de Citricultores, membro do Grupo de Estudos Estratégicos Amazônicos (GEEA), do INPA, e articulista econômico de A Crítica.

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